Opep reduz projeção de aumento da demanda global para este ano

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São Paulo – A demanda global por petróleo em 2021 deve aumentar em 5,6 milhões de barris por dia (bpd) e não mais em 5,9 milhões de bpd como o projetado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) no início deste mês, segundo o secretário-geral do cartel, Mohammad Barkindo, que reforçou as incertezas ligadas à pandemia de covid-19. Em 2020, a demanda global por petróleo encolheu 9,6 milhões de bpd.

Do lado da oferta, a produção de líquidos dos países não pertencentes à Opep deverá crescer em cerca de 1,0 milhão de bpd, em comparação com a projeção de 700 mil bpd feita no início do mês. A previsão de oferta de líquidos dos Estados Unidos permanece inalterada, com crescimento em 160 mil bpd em 2021.

Segundo Barkindo, há uma divergência contínua entre o primeiro e o segundo semestre de 2021. “O primeiro semestre foi novamente ajustado para baixo, principalmente devido a medidas estendidas e novos bloqueios em muitas partes importantes da Europa. Em contraste, as perspectivas de demanda de petróleo no segundo semestre permaneceram relativamente estáveis, refletindo as expectativas de uma recuperação econômica mais forte e o impacto positivo das implementações de vacinação contra a covid-19”, disse.

Do ponto de vista dos estoques, os dados preliminares de fevereiro de 2021 mostram uma redução adicional de cerca de 45 milhões de barris da OCDE, após uma queda de cerca de 14 milhões de barris em janeiro. Segundo Barkindo, o nível de fevereiro é 95 milhões de barris acima do mesmo período do ano passado e 58 milhões de barris acima da média para o período de 2015 a 2019.

“É importante observar que a redução dos estoques de fevereiro é atribuída principalmente a produtos, especialmente no mercado norte-americano, que caíram acentuadamente devido a baixas operações nas refinarias como resultado do inverno rigoroso”, afirmou ele.

Barkindo diz ainda que o realinhamento dos estoques também foi impulsionado “pela excelente conformidade” e com os ajustes de produção dos participantes do acordo que limita a oferta entre países da Opep e seus aliados. “Aqui devemos novamente reconhecer o grande e generoso compromisso adicional de 1,0 milhão de barris para fevereiro, março e abril do Reino da Arábia Saudita”, afirmou.

O grupo conhecido como Opep+ se reúne hoje e amanhã para discutir os níveis de oferta de maio. Atualmente está em vigor uma redução de 7,05 milhões de barris por dia (mbd) e em abril deve passar a valer uma diminuição para 6,9 milhões de bpd devido a um ligeiro aumento na produção de concedido apenas à Rússia e Cazaquistão.

A Arábia Saudita também pode anunciar se vai estender seu corte voluntário adicional de produção de petróleo de 1 milhão de bpd, com o qual vem contribuindo desde fevereiro.

A expectativa é de que a Opep+ mantenha os limites atuais diante das baixas perspectivas de recuperação da demanda por petróleo diante do novo aumento de casos de covid-19 ao redor do mundo.