MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa opera com muita volatilidade, entre perdas e ganhos com investidores aguardando a divulgação dos detalhes de um novo pacote de estímulo nos Estados Unidos, monitorando a situação política e da pandemia no Brasil e por correção dos preços das ações que ontem tiveram alta atípica, como as ligadas ao turismo.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 0,32%, aos 116.469,03 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 14,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2021 apresentava recuo de 0,38%, aos 116.545 pontos.

O pacote de estímulos norte-americano deve ser anunciado ainda hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e a estimativa é de que ele girará em torno de US$ 3 trilhões. Os futuros de ações do país operam em alta à espera dos detalhes, assim como os juros dos títulos de dívida.

Segundo analistas da Ativa Investimentos, os investidores estão apreensivos com o impacto do pacote na atividade e na inflação americana. “Essa preocupação tem refletido no título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos”.

No Brasil, a remoção dos comandantes das Forças Armadas ontem não teve repercussão no mercado, mas hoje o assunto pode ganhar importância depois de o novo ministro da Defesa, Braga Netto, ter elevado o tom na defesa do golpe militar de 1964 dizendo que o evento deveria ser celebrado. A declaração gerou dúvida sobre o perfil democrático dos próximos comandantes das Forças Armadas.

Outros pontos de atenção no Brasil são a pandemia de covid-19 – ontem o país teve novo recorde de mortes provocadas pela doença – e a queda levemente menor que a esperada na taxa de desemprego do trimestre encerrado em janeiro – o mercado previa redução a 14,1%, mas o indicador recuou a 14,2%.

Para o analista José Costa Gonçalves, da Codepe Corretora, o mercado está à espera de notícias no âmbito setorial e estão ajustando os preços. “Os investidores não estão assumindo posições nem para cima e nem para baixo em ativos de risco”, afirma. O analista ressalta que os papéis do setor de turismo, como da Gol (GOLL4), CVC (CVCB3) e Azul (AZUL4), fecharam ontem em alta de 8,55%; 5,57% e 7,07% respectivamente. A expectativa era de que o turismo nacional poderia se beneficiar com a vacinação da população.

O analista comenta que o mercado deve ficar de olho nas ações de empresas de varejo ligadas ao consumo, como lojas de departamentos que têm estabelecimentos em shopping centers e nas ruas. “Com o comércio fechado, esses papéis devem sofrer algum impacto”.

O dólar comercial acelerou as perdas frente ao real e chegou a cair 2%, renovando mínimas sucessivas abaixo dos R$ 5,65, em linha com o exterior, onde a moeda norte-americana perde terreno para as divisas pares e de países emergentes diante a busca por risco. Aqui, prevalece o viés técnico no último pregão do mês e do primeiro trimestre do ano, em meio à disputa pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apuradas pelo Banco Central (BC), com os “vendidos” vencendo a “briga” até o momento.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 1,78%, cotado a R$ 5,6550 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em março de 2021 apresentava recuo de 1,35%, cotado a R$ 5,697.

O estrategista macroeconômico da XP, Victor Scalet, reforça que há um movimento técnico de fim de mês e do trimestre no mercado doméstico, com ajustes de posições, além da disputa da Ptax. “A novidade hoje é o real acompanhar as divisas pares, já que no exterior há uma melhora na percepção de risco. Como os outros mercados buscam risco hoje, o real está acompanhando, além da falta de notícias locais”, comenta.

Ele acrescenta que um novo pacote trilionário nos Estados Unidos segue no radar do mercado, referindo-se ao plano de infraestrutura de US$ 2,25 trilhões que deverá ser apresentado pelo presidente Joe Biden ainda hoje.

O diretor de uma corretora nacional reforça que “em dia de Ptax”, tudo pode acontecer em meio à disputa de “cachorro grande”. “Tudo pode acontecer hoje, vendas no pronto [mercado à vista], no futuro, no mercado paralelo. Isso reflete nesta forte queda da moeda com os vendidos mostrando-se mais bem treinados para a briga”, diz.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) operam em queda acompanhando o recuo do dólar em um momento no qual analistas se debruçam sobre a crise entre o governo Jair Bolsonaro e a cúpula militar e enquanto aguardam mais detalhes sobre o multitrilionário pacote de investimentos em infraestrutura prometido pelo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 4,62%, de 4,66% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 6,41%, de 6,460%; o DI para janeiro de 2025 ia a 8,05%, de 8,12% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 8,67%, de 8,73%, na mesma comparação.