Bolsonaro pede desculpas a STF por vídeo das hienas

151

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo – O presidente Jair Bolsonaro pediu desculpas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e “a quem porventura ficou ofendido” com o vídeo publicado ontem em sua conta no Twitter e posteriormente removido. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Bolsonaro diz que “haverá retratação”.

Ontem, Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter uma montagem em vídeo em que um leão – associado a ele – é atacado por um bando de hienas – associadas a inimigos políticos do presidente.

O grupo de hienas inimigas, porém, inclui o PSL, seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), da oposição, e outros supostos adversários de Bolsonaro, entre eles o STF.

Também aparecem como “hienas” no vídeo vários meios de comunicação – a rede de televisão Globo, a rádio Jovem Pan, a revista Veja e os jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo -, outros partidos políticos – PCdoB, Psol e PSDB -, a organização não-governamental Greenpeace, centrais sindicais – como a Confederação Única dos Trabalhadores (CUT) e a Força Sindical -, a Ordem dos Advogados do Brasil, o Movimento dos Sem-Terra, o Movimento Brasil Livre, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil e até mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU).

Em determinado momento do vídeo, o leão que estava sendo cercado pelo bando de hienas é ajudado a se defender por outro, que segundo a montagem representa o “conservador patriota”. Em seguida, o vídeo apresenta a mensagem: “Vamos apoiar nosso presidente até o fim! E não atacá-lo! Já tem a oposição para fazer isso!”

PSL ENTRE INIMIGOS

O PSL passa por um momento de crise interna, dividido entre os apoiadores da sigla e os que consideram que devem lealdade apenas ao presidente Jair Bolsonaro.

A crise veio à tona após o presidente Jair Bolsonaro aparecer em um vídeo sussurrando no ouvido de um de seus apoiadores, na saída do Palácio do Alvorada, que ele deveria “esquecer esse negócio de PSL”. O presidente acrescentou, no mesmo vídeo, que o presidente do partido, Luciano Bivar, estava “queimado”.

O comentário de Bolsonaro fazia referência a investigações de que o partido teria desviado dinheiro público que deveria ser empregado para finalidades específicas durante a campanha eleitoral – entre eles o financiamento de campanha de mulheres.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, também do PSL, foi acusado recentemente pelo Ministério Público de ter cometido este crime num caso envolvendo candidaturas do estado de Minas Gerais. Bolsonaro, porém, disse que ainda não vê motivos para removê-lo do cargo.

Dias depois da acusação contra o ministro do Turismo, a Polícia Federal lançou uma operação que tinha como alvo Bivar para apurar o envolvimento do presidente do partido no caso de desvios de dinheiro público em Pernambuco.

A situação gerou constrangimento dentro do PSL e dividiu os deputados da sigla, tendo efeitos inclusive sobre o andamento das votações no Congresso.

Em meados de outubro, o deputado delegado Waldir, que está na ala pró-Bivar e era o líder do partido na ocasião, chegou a declarar que o PSL estava em obstrução à votação da Medida Provisória 886, que fazia alterações adicionais na estrutura do governo federal. A obstrução chegou a ser desmanchada por um dos vice-líderes do partido e retomada por Waldir, que desautorizou o vice-líder.

A situação desencadeou uma guerra interna pela troca da liderança do PSL na Câmara, que durou dias e só foi resolvida na semana passada, quando finalmente Waldir foi removido do comando e substituído pelo filho de Jair Bolsonaro, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).