MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

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Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em queda nesta manhã com investidores aproveitando para embolsar lucros depois da alta de ontem, quando o índice renovou recordes, e antes das reuniões do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciam amanhã suas decisões sobre os juros.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,45% aos 107.692,97 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 7,7 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2019 apresentava recuo de 0,17% aos 108.340 pontos.

“O Ibovespa bateu mais um recorde ontem e lá fora as bolsas estão caindo um pouco, temos uma semana importante com decisões de taxas de juros e o investidor aproveita para realizar esses lucros, enquanto espera o cenário ficar mais claro”, disse o analista da Toro Investimentos, Thiago Tavares.

Embora, sejam esperadas quedas de juros pelos dois bancos centrais amanhã, Tavares destaca que será importante acompanhar as sinalizações sobre futuros cortes, principalmente, no caso do Fed. “Na última reunião já não houve consenso sobre o corte, será importante ver o que Powell [Jerome, presidente do Fed] irá falar”, afirmou.

Além da espera pela decisão do Fed, no exterior, seguem incertezas em torno das negociações comerciais entre China e Estados Unidos, apesar de ontem terem sido vistos sinais de avanços nas conversas.

Já na cena local, alguns papéis seguem refletindo a temporada de balanços. Entre as maiores quedas do Ibovespa estão as ações da Multiplan, que divulga seu balanço hoje após o fechamento do mercado. Também entre as maiores perdas estão as ações da B3 e da CCR, que divulgou ontem seus resultados trimestrais, com queda no lucro líquido.

Ainda pesam negativamente hoje as ações de bancos, que mostram realização de lucros apesar da expectativa de balanços positivos, que começam a ser divulgados nesta semana. Os papéis do Itaú Unibanco, por exemplo, caem 1,09%, depois de atingirem sua máxima histórica ontem.

O dólar comercial oscila sem direção única, mas prevalece o viés de alta frente ao real, em meio ao sentimento de cautela entre os investidores antes de decisões dos bancos centrais dos Estados Unidos e brasileiro, além do movimento de ajuste após sucessivas quedas que levou a moeda se desvalorizar mais de 2,6% na semana passada – na maior queda semanal desde fevereiro – e fechar a sessão abaixo dos R$ 4,00 ontem pela primeira vez desde agosto.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,10%, sendo negociado a R$ 3,9970 para venda. No mercado futuro, o contrato com vencimento em novembro de 2019 apresentava avanço de 0,07%, cotado a R$ 3,994.

“É um misto de cautela e ajuste. O mercado sabe que a diferença da taxa de juros aqui e no exterior vai cair”, comenta o operador de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello. Isso porque amanhã sai a decisão do Fed em que o mercado aposta em corte de 0,25 ponto percentual (pp) da taxa de juros indo para a faixa entre 1,50% e 1,75% e com analistas projetando ser o último corte do Fed.

Ele destaca que, mesmo que os cortes sejam esperados e em doses diferentes – maior aqui (0,50 pp) e menor por lá – alguma pressão que desvalorize o real caminha para acontecer. Faganello chama a atenção também para a reta final do mês quando tem a “tradicional briga” pela formação de preço da taxa Ptax – média das cotações apurada pelo Banco Central – o que deixa a moeda “mais volátil e escorregadia”, diz.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) oscilam entre margens estreitas, alternando altas e baixas, seguindo o vaivém do dólar, em meio à tentativa do mercado de realizar parte das posições da véspera. Os investidores redobram a cautela, à espera das decisões de juros dos bancos centrais do Brasil (Copom) e dos Estados Unidos (Fed), amanhã.    

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,762%, de 4,775% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 4,37%, de 4,39% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,37%, de 5,37%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,05%, de 6,03%, na mesma comparação.