Bolsa sobe e dólar cai com Trump mantendo acordo com China

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São Paulo – O Ibovespa fechou em alta pelo segundo pregão seguido, com ganhos de 0,67%, aos 95.975,16 pontos, refletindo o tom mais otimista de Bolsas no exterior após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantir que o acordo comercial com a China segue inalterado.

Indicadores melhores de atividade também ajudaram, embora o índice tenha reduzido ganhos ao longo da tarde pressionado por ações de bancos e com o aumento de casos de coronavírus ainda no radar. O volume total negociado foi de R$ 26,3 bilhões.

Trump afirmou, por meio de um tuíte, que o acordo sino-americano segue intacto, o que foi suficiente para acalmar mercados e trazer otimismo depois de um suposto mal entendido causado pela entrevista do conselheiro da Casa Branca, Peter Navarro, ao canal “Fox News”, ontem à noite. Na entrevista, Navarro disse que a demora da China para avisar sobre a eclosão de novos casos de coronavírus levaram ao encerramento dos canais políticos e econômicos entre os dois países.

“Trump mostrou que não quer problemas com a China, mas que a guerra comercial ainda pode ser um fator de preocupação para o mercado”, avaliou o estrategista da Genial Investimentos, Filipe Villegas.

Ainda nos Estados Unidos, foram divulgados PMIs do setor de serviços e da indústria, que subiram em junho, embora menos do que o esperado por analistas. Na Europa, por sua vez, os PMIs vieram mais fortes que o previsto.

Apesar do otimismo externo, as ações de bancos passaram a cair após subirem pela manhã, caso dos papéis do Itaú Unibanco (ITUB4 -1,35%), que têm grande peso no índice. As ações da Petrobras (PETR3 2,69%; PETR4 3,15%), por sua vez, fecharam alta, mas perderam o ímpeto com a virada para queda dos preços do petróleo, depois de chegarem a subir mais de 5% mais cedo.

As maiores altas do índice foram da Usiminas (USIM5 10,05%), da Gol (GOLL4 11,03%) e da Azul (AZUL4 9,40%). Na contramão, as maiores quedas do Ibovespa foram da CPFL Energia (CPFE3 -3,41%), da IRB Brasil (IRBR3 -4,87%) e da Suzano (SUZB3 -2,61%). O Itaú BBA rebaixou a recomendação para as ações da CPFL de compra para neutra.

Amanhã, a agenda de indicadores será esvaziada, mas investidores devem ficar atentos à votação no Senado do novo marco legal do saneamento, o que impulsionou papéis do setor e foi visto como um bom sinal sobre o andamento da agenda do Congresso.

Além disso, a cena política local segue no radar em relação ao caso Queiroz e a Polícia Federal informou, há pouco, ao Supremo Tribunal Federal, que necessita ouvir o presidente Jair Bolsonaro no inquérito sobre a suposta tentativa de interferência do presidente na autonomia da instituição. Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, as questões só devem fazer preço no mercado “se trouxerem maiores implicações para Bolsonaro” ou provocarem uma reação mais agressiva do presidente.

Ainda serão monitorados o aumento de casos de covid-19 em várias regiões, como em estados norte-americanos, embora, não se espere que uma possível segunda onda da pandemia tenha o mesmo impacto econômico que a primeira.

O dólar comercial fechou em forte queda de 2,20% no mercado à vista, cotado a R$ 5,1520 para venda, engatando o terceiro recuo seguido, em sessão de forte apetite por risco no exterior após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desmentir um assessor da Casa Branca sobre o acordo comercial com a China e afirmar que o tratado “está intacto”. O resultado de indicadores econômicos do mês na Europa e nos Estados Unidos também animou investidores no exterior.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, ressalta que o forte recuo da moeda teve como “indutores” os PMIs ([índices de gerentes de compras) da indústria e do setor de serviços da zona do euro e Reino Unido, além do dado dos Estados, em junho, que vieram melhores do que o esperado e no melhor resultado em quatro meses.

Além da confirmação de Trump de que a “fase 1” do acordo comercial com a China permanece em vigor. “Esses dois fatores levaram investidores a uma forte procura por ativos de risco que acabaram penalizando o dólar lá fora”, diz.

Ele acrescenta que o real teve uma “desenvoltura” melhor que os seus pares no exterior. “Em uma cesta com as 17 moedas mais negociáveis no mundo, o real voltou a tirar o primeiro lugar como a divisa mais valorizada frente ao dólar” diz. A divisa chegou a renovar mínimas a R$ 5,13 perto do fim da sessão exibindo um ambiente mais positivo para a moeda local.

Amanhã, com a agenda de indicadores esvaziada, a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, vê que o fluxo de notícias será determinante para a direção da moeda. “Existe espaço para valorização do real, mas depende muito do noticiário e que é imprevisível”, reforça.

Já o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti, acrescenta que a moeda deverá seguir no intervalo exibido hoje, até os R$ 5,20, também motivado por um fluxo “mais positivo” das notícias. “Principalmente, se seguir sem novas notícias negativas na política”, diz.