BCE vai recalibrar instrumentos para apoiar economia, diz Lagarde

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A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde / Foto: Angela Morant/BCE

São Paulo – O Banco Central Europeu (BCE) vai recalibrar alguns de seus instrumentos para continuar apoiando a recuperação da economia da zona do euro da pandemia do novo coronavírus, disse a presidente da instituição, Christine Lagarde, ao mesmo tempo em que alertou sobre a importância dos estímulos fiscais.

“Com vacinação, vemos o outro lado da crise, mas não cruzamos a crise ainda. Temos que sermos firmes e continuar apoiando a economia”, de acordo com Lagarde, em discurso online na abertura do Centro GeoEconômico do Conselho Atlântico.

“Vamos recalibrar alguns instrumentos que usamos para que continuem a apoiar a recuperação da economia, e a apoiar condições financeiras atrativas daqui para frente”, disse. “As autoridades fiscais tem que continuar com estímulos também”, alertou. “Estamos em uma posição onde a política fiscal será mais potente e deve continuar a ser lançada”.

Segundo Lagarde, as políticas fiscal e monetária “andam de mãos dadas”, e devem operar de forma coordenada para alcançarem resultados mais eficientes, o que está sendo feito.

A presidente do BCE disse ainda que nem todos os setores da economia estão em risco no momento, e o de serviços é um dos mais afetados. Ela destacou que BCE agiu com rapidez para lidar com a primeira onda da pandemia, e da mesma forma “estará lá” na segunda onda.

“Novas medidas de bloqueio afetam a economia enquanto falamos”, disse ela, citando os dados divulgados hoje do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) da atividade industrial da zona do euro. O índice caiu para 53,8 pontos em novembro, de 54,8 pontos em outubro.

Para Lagarde, o lançamento inédito de dívida comum europeia para lidar com a crise da pandemia evidencia a solidariedade e a capacidade de união dos europeus. “A Europa está se movendo para cuidar dos seus membros mais afetados”, disse.

Ela elogiou o fundo de recuperação Próxima Geração da União Europeia (UE) e o fortalecimento do fundo de resgate europeu anunciado pelo Eurogrupo (que reúne os ministros de Finanças da zona do euro), incluindo um mecanismo de apoio para bancos em dificuldades.

Com relação aos aprendizados desta crise, a presidente do BCE destacou a necessidade de agir rapidamente, de forma abrangente e decisiva, comunicando claramente e em coordenação com medidas fiscais. “A política monetária não é o único jogo na cidade”.

Entre as medidas adotadas pelo BCE, ela destacou o programa de compra de emergência pandêmica (PEPP, na sigla em inglês), lançado em meados de março de forma direcionado e flexível, que “se provou eficiente rapidamente” ao estabilizar as condições financeiras, gerir os impactos da pandemia na inflação e reduzir os riscos de fragmentação.

Ela destacou ainda as operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo (TLTROs, na sigla em inglês), com termos atrativos de empréstimos para bancos, para que eles pudessem ser encorajados a emprestar para a economia, garantir que dinheiro continuasse a fluir. “Isso funcionou também”, concluiu.