MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em alta refletindo o cenário externo positivo e a aprovação da venda de estatais sem aval do Congresso ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Entretanto, o índice segue com variações modestas com investidores mostrando alguma cautela à espera de novidade sobre a reforma da Previdência, cujo relatório na comissão especial deve ser apresentado na semana que vem.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,87% aos 98.056,79 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 6,2 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 1,25% aos 98.120 pontos.

No exterior, além de um alívio na tensão comercial, com expectativa de que o México e os Estados Unidos possam chegar a um acordo sobre tarifas, os números do mercado de trabalho norte-americano (payroll) vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado, o que mantém a esperança de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) possa passar a reduzir juros. Uma redução de juros no país reflete em mais investimentos em ativos de risco, como de países emergentes como o Brasil.

Já no mercado doméstico, ainda há reflexo da aprovação pelo STF da venda de estatais sem autorização legislativa, o que já fez ações como da Petrobras e do Banco do Brasil subirem ontem no fim do pregão. A aprovação deve destravar a venda da TAG pela Petrobras e operações de outras estatais, o que faz parte da estratégia do governo de Jair Bolsonaro, embora já fosse esperada pelo mercado, o que pode fazer com que ocorra alguma realização de lucros nos papéis.

Apesar dos fatores positivos no exterior e no mercado doméstico, o analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, lembra que o motivo que mais tem influenciado a Bolsa é a reforma da Previdência e que ainda há dúvidaa sobre o que o relatório da comissão especial irá apresentar na semana que vem. Um dos pontos polêmicos é a inclusão ou não dos estados. “Essa alta mais tímida pode ser por expectativas em torno da Reforma da Previdência, do texto do relator “, afirmou.

O dólar comercial tem queda firme frente ao real influenciado pelo resultado mais fraco do payroll no mês passado. Enquanto o mercado aguardava a criação de 190 mil vagas, foram criadas 75 mil vagas, alimentando a leitura de que há espaço para corte da taxa de juros norte-americana no curto prazo.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,61%, sendo negociado a R$ 3,8590 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2019 apresentava recuo de 0,59%, cotado a R$ 3,863.

Para a economista-chefe do banco Ourinvest, Fernanda Consorte, os números do payroll abaixo do esperado somados às declarações do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de que analisa os impactos da guerra comercial para definir o futuro da política monetária. “O mercado já começa a pensar nessas quedas e coloca isso na conta, o que favorece e muito as divisas de países emergentes”, comenta.

A economista acrescenta que as notícias de que os Estados Unidos podem postergar a cobrança das tarifas de 5% sobre produtos do México a partir de segunda-feira corroboram para o enfraquecimento do dólar ante a maioria das moedas globais. “Houve um abrandamento no cenário internacional que está movendo o mercado e deixando o dólar mais fraco”, reforça Fernanda.

Para a equipe econômica da Coinvalores, o payroll deve elevar as apostas do mercado de um corte de juros já na reunião deste mês do Fed, em 18 e 19 de junho. “Hoje, o mercado aposta em 70% de chance de um corte de juros na reunião da última semana de julho e apenas 20% de chance de um corte agora em junho”, avalia.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem em queda, com os investidores calibrando as chances de cortes nos juros dos Estados Unidos e do Brasil, após os dados de inflação no Brasil (IPCA) e sobre o payroll. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,235%, de 6,265% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,29%, de 6,39% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 7,17%, de 7,28%; e o DI para janeiro de 2025 estava em 7,76%, de 7,85%, na mesma comparação.

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