Trump ordena revisão de tratamento especial concedido a Hong Kong

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping. Foto: Divulgação/ Casa Branca

São Paulo – O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou uma série de revisões ligadas à China em seu esperado pronunciamento na Casa Branca, mas evitou aplicar sanções econômicas contra Pequim em um momento no qual a tensão entre as duas maiores economias do mundo aumenta e coloca em risco o acordo comercial de primeira fase fechado em janeiro.

Sob uma série de críticas e acusações, Trump disse que quer uma parceria aberta e equilibrada com a China, mas que, neste momento, as ações de Pequim não caminham nessa direção. “O padrão de má conduta da China é bem conhecido”, disse ele nos jardins da Casa Branca. “O mundo agora sofre com o mau comportamento da China”, acrescentou.

A primeira medida anunciada por Trump foi autorizar o processo de eliminação do tratamento especial para Hong Kong em resposta aos planos da China de impor uma lei de segurança nacional no território.

Segundo ele, a China havia quebrado sua palavra sobre a autonomia de Hong Kong e que a lei de segurança nacional – aprovada ontem pelo parlamento chinês – é uma tragédia para o povo de Hong Kong, China e o mundo.

“A China assumiu o compromisso de ‘um país, dois sistemas’, mas não cumpriu e o que vemos com essa lei de segurança é ‘um país e um sistema’. Por isso, Hong Kong não consegue mais garantir sua autonomia e não podemos manter status especiais concedidos ao território”, afirmou Trump.

A ideia de ‘um país, dois sistemas’ foi proposta pelo governo chinês durante as negociações com a Inglaterra pela cessão de Hong Kong (no poder britânico), consumada em 1997. Essa doutrina permitia que Hong Kong mantivesse autonomia para estabelecer um sistema político e econômico diferente do estabelecido por Pequim.

Depois de anunciar que irá revogar o tratamento preferencial de Hong Kong como um território alfandegário e de viagem separado do resto da China, Trump autorizou o Departamento de Estado norte-americano a alterar as recomendações de viagem para Hong Kong.

“Vamos revisar o aviso de viagem do Departamento de Estado para Hong Kong para refletir o aumento do perigo de espionagem e punição pelo aparato de segurança estatal chinês”, disse.

Trump ordenou ainda que autoridades norte-americanas identificassem empresas chinesas que possam estar violando as regras do mercado de ações dos Estados Unidos.

“Também estou tomando medidas para proteger a integridade do sistema financeiro dos Estados Unidos, de longe o melhor do mundo. Ordeno ao grupo de trabalho sobre mercados financeiros que estude as diferentes práticas de empresas chinesas listadas nos mercados financeiros norte-americanos com o objetivo de proteger os investidores “, disse afirmou.

Ele acrescentou que as empresas de investimento dos Estados Unidos não devem sujeitar os clientes a riscos ocultos associados ao financiamento de empresas chinesas que não cumprem as mesmas regras.

SANÇÕES

Embora não tenha anunciado sanções econômicas contra a China, Trump disse que adotará novas punições a autoridades chinesas e de Hong Kong envolvidas em minar a autonomia da cidade.

“Os Estados Unidos tomarão as medidas necessárias para sancionar autoridades da República Popular da China e Hong Kong, que estiveram direta ou indiretamente envolvidas na erosão da autonomia de Hong Kong”, afirmou.