Raízen reverte lucro e tem prejuízo ajustado de R$ 178 mi no 4° trimestre de 2024

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São Paulo, SP – A Raízen divulgou o balanço do quarto trimestre (Safra 2023/24), com prejuízo líquido ajustado de R$ 178 milhões, revertendo o lucro líquido ajustado de R$ 2,5
bilhões registrado no mesmo período do ano passado. A receita líquida foi de R$ 53,5 bilhões, queda de 2,3% em relação ao 4T23. O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de R$ 3,7 bilhões, queda de 37,7% em comparação ao 4T23.

“Com mais de 2/3 da jornada para recuperação da produtividade agrícola já concluída, os níveis de renovação dos nossos canaviais estão convergindo para um novo patamar recorrente. Apesar dos efeitos inflacionários no período, a otimização da área de plantio e captura de eficiências nos processos nos permitiu reduzir os investimentos recorrentes no ano. Além disso, em virtude do menor período de entressafra neste ano, os dispêndios com manutenção foram inferiores na comparação anual. Apesar do aumento de nossos investimentos recorrentes, capturamos eficiência na diluição frente a nossa produção em açúcar equivalente”, destacou a companhia.

A companhia encerrou o ano safra com Ebitda Ajustado de R$ 14,6 bilhões ou R$ 13,1 bilhões desconsiderando o reconhecimento de crédito tributário extemporâneo (R$ 1,5 bilhão). Se considerarmos apenas o efeito contábil gerado pelo aumento dos dias de safra no custo, a companhia teria atingido o piso do Guidance. Todos os demais negócios da Companhia compensaram seus desvios, o que comprova o valor da diversificação do portfólio da Raízen.

“Nossa alavancagem operacional foi capaz de absorver os efeitos inflacionários sobre a mão de obra, serviços e manutenção. Contudo, o incremento das despesas industriais e com as atividades de corte, carregamento e transporte, devido à extensão dos dias de safra, e o aumento do Consecana, compensaram a redução no custo unitário da cana própria e a maior diluição dos custos fixos em função dos resultados da melhor produtividade e do arrefecimento dos custos com insumos agrícolas e diesel”, explicou o relatório.

ENDIVIDAMENTO

A dívida líquida encerrou o trimestre em queda ante ao 3T24 e ano anterior em função da
geração de caixa primária, parcialmente compensada pelo crescimento dos investimentos ano x ano. Do endividamento total, aproximadamente R$ 1,4 bilhão estão alocados no segmento Mobilidade Latam. A alavancagem caiu para 1,3x em a relação Dívida Líquida/EBITDA ajustado dos últimos 12 meses. A posição de caixa e equivalentes de caixa incluindo Títulos e Valores Mobiliários atingiu R$ 15,9 bilhões

A concentração de amortizações em 203233 reflete a conclusão dos esforços da companhia no alongamento do prazo médio de endividamento de 4,1 anos para 6,8 anos com um perfil mais suave de amortização. Mesmo em um ciclo intenso de investimentos, a Raízen afirmou que mantém a disciplina em sua estrutura de capital com níveis prudenciais de liquidez e alavancagem, e sustentação do grau de investimento.

Sobre o custo da dívida líquida, a companhia afirmou disse que houve redução no trimestre e neutro na comparação anual, em função da redução da taxa básica de juros Selic (de 13,75% para 11,08%, em média, na comparação entre trimestres e de 13,42% para 12,58%na comparação anual) e do

“O efeito da desvalorização do Peso Argentino beneficiou os saldos de endividamento da companhia. “Seguindo o compromisso assumido através dos nossos mandamentos de gestão de capital, estendemos o prazo médio da dívida da Raízen para quase 7 anos, através da recompra parcial do Bond 27 e emissão de Green Bonds (10 e 30 anos) no mercado internacional.”

A companhia comentou ainda que houve aumento nos encargos, principalmente a desvalorização cambial na Argentina equivalente a R$ 75 milhões no 4T e R$ 883 milhões no ano, além de efeitos da variação cambial e resultados de derivativos não designados para hedge accounting sobre empréstimos e financiamentos, bem como outras despesas

GUIDANCE

A companhia divulgou as projeções financeiras referentes ao ano-safra 2024/25, que iniciou em 1º de abril de 2024 e se encerrará em 31 de março de 2025. A previsão para investimentos ficará entre R$ 10,5 bilhões e R$ 11,5 bilhões. A empresa espera um Ebitda ajustado entre R$ 14,5 bilhões a R$ 15,5 bilhões no período.

O comunicado ressaltou que as projeções são baseadas nas seguintes premissas:

Moagem entre 82 e 85 milhões de toneladas, fruto das melhores condições dos canaviais como resultado da Jornada de Produtividade Agrícola, a depender dos efeitos climáticos e consequente produtividade;

Dinâmica de custos favorável, em razão do efeito de diluição sobre a parcela fixa dos custos e arrefecimento dos efeitos inflacionários sobre os preços de insumos agrícolas, além da expectativa normalizada de número de dias de safra;

Volume próprio produzido e comercializado de Etanol, Açúcar e Energia, em consonância com a produtividade, disponibilidade de produtos e demanda;

Ciclo favorável de preços de Açúcar, considerando que uma parcela relevante das vendas já está fixada, conforme divulgações trimestrais;

Atuação diferenciada na cadeia de valor do etanol, com um portfólio diversificado para diferentes usos e aplicações, com sustentação de um prêmio médio ponderado acima de 20%;

Mobilidade contempla novo patamar de rentabilidade nas regiões em que atuamos, expansão da rede e base de clientes contratados, reforço da Oferta Integrada Shell, manutenção dos níveis de serviço, satisfação dos revendedores e gestão otimizada de suprimentos.

Sobre os investimentos, a companhia destacou a manutenção do patamar dos investimentos recorrentes em canaviais, composto pela redução da área de plantio e trato, em consonância com o estágio atual da jornada de recuperação da produtividade agrícola, que permitirá absorver completamente os efeitos inflacionários; a revisão do faseamento dos investimentos voltados para expansão, notadamente nas plantas de E2G, bem como a conclusão da planta de Biogás no Parque de Bioenergia Costa Pinto; as renovações e expansão de contratos rede, ampliação e otimização da infraestrutura logística e conclusão dos investimentos já programados na Refinaria da Argentina.