Quadro de covid do Brasil é grave apesar de queda nas mortes

Imagem microscópica do coronavírus
Imagem microscópica do coronavírus causador da covid-19. (Foto: Hannah A Bullock e Azaibi Tamin/CDC)

São Paulo – O quadro da pandemia de covid-19 no Brasil ainda é grave, mesmo com os sinais de melhora recente em relação aos óbitos provocados pela doença, afirmou o infectologista Julival Ribeiro. “O momento ainda é preocupante. O número de mortes está elevado”, afirmou.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostraram que desde o final de abril a média de sete dias de novos casos de covid-19 no Brasil continuou oscilando entre 55 mil e 66 mil casos, mas que no mesmo período a média de mortes provocadas pela doença passou por um declínio acentuado – caindo de cerca de 2.500 para 1.639 no último domingo, o menor nível desde 10 de março.

Parte do recuo deve-se ao aumento da quantidade de pessoas efetivamente imunizadas contra a covid-19 por meio de campanhas de vacinação – atualmente, cerca de 10% da população brasileira tomou as duas doses das vacinas disponíveis por aqui e está protegida contra a doença. Para fins de comparação, no início de março apenas 1,5% da população tinha recebido as duas doses das vacinas.

“A vacinação começa a ter impacto, sobretudo em determinados grupos de risco, mas eu lhe diria que a gente precisa vacinar o mais rápido possível, o maior número de pessoas”, disse Ribeiro, acrescentando que todas as vacinas disponíveis no Brasil são seguras.

Ele, que também faz parte da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), aponta que, apesar de a queda no número de mortes ser positiva, ainda há vários fatores negativos a respeito da pandemia no Brasil.

Segundo Ribeiro, no Reino Unido, onde 60% da população recebeu a primeira dose e 40% recebeu a segunda dose das vacinas contra a covid-19, passam-se dias sem mortes pela doença, mas houve repique nos casos após chegar no país a variante indiana do coronavírus, mais contagiosa. Esta variante, assim como outras duas com maior grau de transmissão, também circulam no Brasil.

Além disso, por aqui metade dos estados e o Distrito Federal apresentam taxas de ocupação de UTIs por pessoas contaminadas com a covid-19 acima de 80% – nível considerado crítico e indicador antecedente de colapso no atendimento hospitalar. Isso, associado à presença de variantes do vírus com maior transmissibilidade e ao baixo grau de cobertura vacinal, tornam o quadro brasileiro crítico.

“É muito preocupante o que pode vir agora pela frente. O que está se esperando é que número de casos aumente muito mais com o feriado prolongado. Só vai ver repercussão daqui a duas semanas”, disse Ribeiro.

“Infelizmente, a gente está observando em alguns estados noticiário que as pessoas não estão aderindo como deveriam a tomar as vacinas, sobretudo pessoas que tomaram a primeira dose e não estão indo tomar a segunda dose. A gente só vai ter imunidade realmente após a segunda dose, depois de 15 dias [de recebida a segunda dose]”.

Ele ressalta ser importante não afrouxar as medidas de contenção da covid-19 – entre elas o uso de máscaras e o distanciamento social. “Não pode acreditar que a pandemia acabou. Ela está aí, infelizmente, com número de casos altos”.