Projeções para o Ibovespa em 2020 são revistas para baixo

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Por Danielle Fonseca

São Paulo – Os possíveis impactos da pandemia do novo coronavírus na economia global e nos resultados de empresas está fazendo uma série de bancos e corretoras revisarem drasticamente para baixo suas previsões para o Ibovespa ao final de 2020, com o cenário de índice acima dos 100 mil pontos, que era dado como certo no fim de 2019, ficando claramente distante.

O banco JP Morgan, por exemplo, revisou sua a projeção de Ibovespa a 126 mil pontos, que tinha em dezembro, para 80,5 mil pontos na semana passada, semelhante à previsão do Morgan Stanley, que passou de 105 mil pontos para 85 mil pontos. Já o Itaú BBA passou a estimar que o Ibovespa termine 2020 em 94 mil pontos, ante projeção anterior de 132 mil pontos, exatamente o mesmo que passou a prever a XP Investimentos, que revisou hoje suas estimativas.

Segundo os analistas do JP Morgan, a maioria dos países da América Latina está negociando bem abaixo de médias históricas e podem sofrer reavaliações. Além disso, no Brasil, o banco continua a prever um aumento de casos de coronavírus. “Continuamos a esperar que os casos acelerem conforme o número de testes cresça, com um pico de cerca de 100 mil casos entre a segunda e a terceira semana de abril, no cenário base”, disseram em relatório.

Os casos confirmados do novo coronavírus no Brasil aumentaram de 3.904 no sábado para 4.256 no domingo, enquanto o número de mortos em decorrência da epidemia subiu de 114 para 136, segundo dados atualizados até ontem pelo Ministério da Saúde.

O analista do Itaú BBA, Marcos Assumpção, destaca que a pandemia deve impactar fortemente a economia e, consequentemente, os resultados de empresas. “Depois de avaliar o impacto da Covid-19 e a crise do petróleo na economia local e global, acreditamos que o nível de lucro esperado para 2020 estará cerca de 25% abaixo do consenso atual”, disse, em relatório.

Com piores resultados em 2020, a equipe do Itaú BBA decidiu alterar a previsão para o Ibovespa. No entanto, acredita que há potencial de recuperação em 2021, apostando em uma recuperação em forma de V. A previsão para o PIB do Brasil do Itaú BBA em 2020 passou de alta de 1,8% para queda de 0,7%, mas, para 2021, foi elevada de 3% para 5,5%.

Por sua vez, a XP Investimentos, que reduziu sua projeção para o índice de 132 mil para 94 mil pontos, assim como o Itaú BBA, destaca que a pandemia força governos a tomar medidas drásticas para conter a disseminação, o que já está tendo “grandes impactos para a economia e para as empresas”. Para a corretora, o Ibovespa poderia recuar até a 60 mil pontos caso o mercado caísse a média do que caiu em recessões globais passadas.

No entanto, vê uma mudança nas medidas de socorro para a economia já tomadas frente à crise financeira global de 2008, o que deve minimizar perdas. “A rápida atuação dos governos e Bancos Centrais ao redor do mundo visando tentar conter o impacto econômico das medidas de controle do vírus é algo muito positivo, e reduz drasticamente o potencial da crise se deteriorar para uma depressão econômica”, disse o estrategista-chefe da XP Investimentos, Fernando Ferreira.

O analista de investimentos do banco Daycoval, Enrico Cozzolino, também acredita que faz sentido pensar que o Ibovespa deve ficar abaixo de 100 mil pontos este ano, já que resultados de empresas serão afetados, destacando que empresas de commodities sofrem e têm grande peso no índice.

“Estamos vendo a Petrobras sofrer com a crise do petróleo, a Vale já caiu e outros papéis como Ambev e BRF também serão afetados, apesar de bancos poderem sofrer um pouco menos com medidas já tomadas pelo Banco Central”, disse. O Daycoval previa que o Ibovespa poderia chegar a 134 mil pontos este ano, mas está revisando sua projeção.

O economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, é outro que acredita que projeções entre 120 e 130 mil já estão defasadas e vê o índice atingindo no máximo 100 mil pontos ao fim do ano. Porém, destaca que isso dependerá da velocidade de recuperação da economia passado o auge da crise. “Só deve superar os 100 mil pontos se tivermos uma recuperação brilhante. Mas as projeções na faixa de 80 mil podem estar um pouco baixas se a recuperação for em V. Ainda está difícil fazer projeções”, disse.