Powell rejeita juros negativos e reforça prontidão no apoio à economia dos EUA

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O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell / Foto: Fed

São Paulo – O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) não considera o uso de taxas de juros negativas, e seu atual kit de ferramentas de política monetária é bom e funciona, disse o presidente da instituição, Jerome Powell. Ele afirmou ainda que está pronto para adotar medidas extras para apoiar a economia dos Estados Unidos.

“A visão do comitê não mudou, não é algo que estamos olhando”, disse ele em um webcast promovido pelo Peterson Institute, ao ser questionado sobre os juros negativos. Segundo ele, ao invés disso o Fed escolheu usar orientações futuras e programas de compra de ativos.

“Achamos que temos um bom kit de ferramentas e pensamos que ele funciona”, afirmou, acrescentando que o Fed tem rejeitado o uso de taxas negativas como ferramenta de estímulo monetário por anos. Ainda segundo ele, há evidências mstas sobre a efetividade dos juros negativos.

O presidente norte-americano, Donald Trump, tem pressionado o Fed a adotar juros mais baixos. “Enquanto outros países recebem os benefícios de taxas negativas, os Estados Unidos também aceitariam esse presente”, afirmou Trump ontem, me mensagem no Twitter.

Atualmente, a taxa básica de juros nos Estados Unidos está na faixa entre zero e 0,25% ao ano. Os juros foram reduzidos agressivamente em março em uma reunião de emergência, quando o Fed anunciou também uma série de medidas para apoiar a economia em meio à pandemia do novo coronavírus, como a compra de Treasuries e hipotecas.

APOIO À ECONOMIA

Powell voltou a afirmar que fará o possível para apoiar a economia dos Estados Unidos e pode adotar medidas adicionais de afrouxamento monetário.

Segundo ele, a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus levanta preocupações de longo prazo, uma vez que recessões prolongadas podem deixar danos na capacidade produtiva da economia, desencorajar o investimento, limitar empregos e deixar a renda estagnada.

“Devemos fazer o possível para evitar esses resultados e isso pode exigir medidas políticas adicionais”, disse Powell. “No Fed, continuaremos a usar nossas ferramentas ao máximo até que a crise passe e a recuperação econômica esteja em andamento”.

De acordo o presidente do Fed, “embora a resposta econômica tenha sido oportuna e adequadamente grande, pode não ser o capítulo final, uma vez que o caminho a seguir é altamente incerto e sujeito a riscos negativos significativos. As previsões econômicas são incertas”.

Powell disse que a crise provocada pelo novo coronavírus é diferente de todas as anteriores. “O escopo e a velocidade dessa crise não têm precedentes modernos, significativamente piores do que qualquer recessão desde a Segunda Guerra Mundial”, disse. “Enquanto todos somos afetados, a carga recaiu sobre os menos capazes de suportá-la”.

Ele destacou que a resposta adotada nos Estados Unidos compensar os efeitos econômicos do vírus “foi particularmente rápida e vigorosa”, destacando que o Congresso forneceu aproximadamente US$ 2,9 trilhões em apoio fiscal a famílias, empresas e governos.

“No Fed, também agimos com velocidade e força sem precedentes”, afirmou, citando as taxas de juro perto de zero e uma série de medidas para injetar liquidez na economia. Com relação às linhas de swap adotadas com outros bancos centrais, ele disse que “tem seu papel em apoiar o retorno para condições mais normais nas finanças globais”, ao “ganhar tempo”.

“O Fed realiza ações como essas apenas em circunstâncias extraordinárias, como as que enfrentamos hoje”, disse, “Quando esta crise acabar, colocaremos essas ferramentas de emergência de lado”. Por fim, ele afirmou que “o principal é entrar em um caminho de recuperação e permanecer nele”.