Óleo no NE pode estar vindo de vazamento subterrâneo

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Por Gustavo Nicoletta

Imagem obtida pelo Lapis mostra vazamento e três navios próximos da região. (Foto: Divulgação/Lapis)

São Paulo – O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal), detectou em imagens de satélite que o vazamento de óleo que poluiu praias ao longo do litoral nordestino pode ter origem subterrânea.

Segundo comunicado divulgado pela Ufal, depois de três semanas de processamento de imagens do satélite Sentinel-1A, o pesquisador Humberto Barbosa, do Lapis, identificou na segunda-feira (28) um vazamento de óleo com 55 quilômetros de extensão e seis quilômetros de largura a 54 quilômetros da costa do Nordeste, no sul da Bahia, nas proximidades dos municípios de Itamaraju e Prado.

De acordo com o pesquisador, as imagens mostram “que a origem do vazamento pode estar ocorrendo abaixo da superfície do mar. Com isso, levantamos a hipótese de que a poluição pode ter sido causada por um grande vazamento em minas de petróleo ou, pela sua localização, pode ter ocorrido até mesmo na região do pré-sal”.

O Lapis estava analisando imagens de satélite dos últimos 60 dias para tentar isolar a origem dos vazamentos, mas como as imagens anteriores mostravam o piche já fragmentado não havia como identificar o padrão de vazamento.

Apenas nesta semana foi possível encontrar uma imagem mais completa que permitiu detectar com precisão o padrão característico do vazamento.

“É como a montagem de um quebra-cabeça, com peças muito dispersas, que são as manchas muito espalhadas pelas correntezas no litoral do Nordeste do Brasil, principalmente nas faixas costeiras. De repente, você encontra uma peça-chave, mais lógica, foi o que ocorreu ontem ao encontrar essa imagem. Foi a primeira vez que observamos, para esse caso, uma imagem de satélite que detectou uma faixa da mancha de óleo original, ainda não fragmentada e ainda não carregada pelas correntezas”, explicou Barbosa, segundo comunicado da Ufal.

O Lapis também observou, a partir de imagens retroativas de satélites, manchas de petróleo no Sudeste do Brasil, precisamente esse tipo de poluição ocorrendo, em menor volume, próximo à costa do Espírito Santo. Porém, o padrão localizado no Espírito Santo é diferente daquele enorme vazamento localizado, nas proximidades do litoral da Bahia.

O pesquisador afirma que, pela localização do óleo, é algo muito maior que um derramamento acidental ou proposital de óleo, a partir de um navio hipótese que vem sendo propagada pelo governo federal. Seria um vazamento que está abaixo da superfície do mar, consequência de perfuração.

A imagem também permite detectar três navios, no entorno da grande mancha, que podem tanto estarem passando pelo local quanto monitorando alguma situação extraordinária ocorrida na área. A Marinha confirmou ontem que havia três embarcações monitorando o sul da Bahia.