Número 2 do Fed reafirma acomodação para apoiar economia na crise

O vice-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Richard Clarida / Foto: Federal Reserve

São Paulo – O Federal Reserve (Fed) manterá a taxa de juros próxima de zero e as compras de títulos para garantir uma recuperação completa da economia, que ainda sente os efeitos da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, segundo o vice-presidente do banco central norte-americano, Richard Clarida.

“Embora nossas ferramentas de taxa de juros e balanço estejam fornecendo suporte poderoso à economia e continuarão a fazê-lo à medida que a recuperação progride, levará algum tempo para que a atividade econômica e o emprego voltem aos níveis que prevaleciam no pico do ciclo alcançado em fevereiro passado”, disse ele no fórum do Instituto de Finanças Internacionais de Washington.

Diante desse cenário, o número dois do Fed garantiu que o banco central segue empenhado  usar todas as ferramentas para apoiar a economia norte-americana “até que o trabalho seja bem e verdadeiramente feito para ajudar a garantir que a recuperação econômica seja tão robusta e rápida quanto possível”.

As declarações de Clarida acontecem em um momento no qual os investidores se perguntam se o banco central norte-americano pode manter as condições financeiras frouxas por tanto tempo quanto parece pretendido em um momento que a economia dá sinais de recuperação mais rápida e a inflação pode acelerar.

Para Clarida, a resposta é sim. Segundo ele, o crescimento econômico que se aproxima e uma aceleração da inflação que o acompanha são bem-vindos e não levarão o Fed a reverter rapidamente os níveis de apoio instituídos há um ano.

“Espero que a maior parte dessa aceleração seja transitória e que a inflação volte a – ou talvez fique um pouco acima – de nossa meta de longo prazo de 2% em 2022 e 2023. Esse resultado seria inteiramente consistente com a nova estrutura que adotamos em agosto 2020 e começou a ser implementada em nossa reunião de setembro de 2020”, disse ele.

A meta do Fed é manter as expectativas de inflação bem ancoradas em 2%. Para isso, o banco central passou a permitir que a taxa supere essa meta por algum tempo para compensar períodos em que esteve mais baixa.

Os últimos meses mostraram que a economia “é mais resiliente do que muitos previam ou temiam um ano atrás”, disse Clarida, observando que os Estados Unidos provavelmente voltarão ao pleno emprego muito mais rápido do que na época da crise financeira de 2007 a 2009.

No último dia 17, o Fed divulgou suas projeções econômicas revisadas. O banco central norte-americano agora prevê que a taxa de desemprego encerre o ano em 4,5%  e a inflação em 2,4%.