MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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Gráfico

São Paulo – O Ibovespa zerou as perdas iniciais diante da expectativa do resultado das movimentações em Brasília em torno da reforma administrativa e do auxílio emergencial. Entretanto, a cautela que antecede o feriado prolongado inibe o fôlego do índice.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava ligeira alta de 0,03% aos 119.324,63 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em fevereiro de 2021 apresentava recuo de 0,30%, aos 119.305 pontos.

Em meio a comentários de que uma proposta de reforma administrativa virá a público depois do Carnaval, o primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou hoje que a extensão do auxílio emergencial planejada pelos deputados terá valor entre R$ 200 e R$ 300 e duração de três a quatro meses. Trata-se de um meio-termo entre as sugestões do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

O presidente Jair Bolsonaro defende uma nova rodada do benefício no valor de R$ 250 mensais que comece a ser paga em março e tenha duração de quatro meses. O ministro Paulo Guedes defende mais três parcelas de R$ 200, atendendo à metade dos 64 milhões de beneficiários que receberam ajuda no ano passado.

Aos agentes do mercado financeiro, interessa saber se a retomada do auxílio emergencial terá alguma contrapartida fiscal ou se colocará em risco o teto de gastos. Enquanto isso não se define, a palavra de ordem no curto prazo dos mercados financeiros é cautela. Na avaliação de Pedro Galdi, analista da Mirae Asset, o índice segue sob a influência da “desconfiança do estouro do teto da dívida”.

Além disso, o ambiente de negócios é dominado pela cautela que costuma anteceder as paradas para feriados prolongados na bolsa e por alguma realização de lucros em Wall Street depois de os principais índices norte-americanos de ações terem renovado níveis recordes em pregões recentes.

Apesar do adiamento oficial do Carnaval, encerrada a sessão de hoje, os negócios na B3 ficarão parados até o início da tarde de quarta-feira. Enquanto as bolsas asiáticas também permanecerão fechadas por causa de um feriado, o de ano novo lunar, os principais mercados financeiros da Europa permanecerão abertos nos próximos dias. Já a bolsa de Nova York fechará apenas na segunda-feira. Com isso, os investidores tendem a ajustar suas posições antes de uma parada tão longa por aqui.

Ao mesmo tempo, segue fresca na memória a lembrança de que foi na volta do Carnaval do ano passado que o Ibovespa sofreu o primeiro impacto mais forte da brusca desvalorização dos ativos financeiros em decorrência da pandemia de covid-19.

Após operar firme em campo positivo, o dólar comercial opera sem direção única frente ao real com o contrato à vista oscilando em queda em sessão de aversão ao risco no exterior e liquidez reduzida em meio à ausência de algumas bolsas de valores da Ásia em decorrência do feriado prolongado de ano novo chinês. Aqui, prevalece o viés de cautela antes do fechamento da B3, na segunda e terça-feira. Investidores monitoram Brasília, onde o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reunirá com os presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, para discutirem mais uma rodada de pagamento do auxílio emergencial.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,22%, cotado a R$ 5,3740 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em março de 2021 apresentava avanço de 0,15%, cotado a R$ 5,377.

Após o presidente Jair Bolsonaro declarar ontem que o auxílio poderá voltar em março em “três, quatro parcelas”, o mercado entendeu que o governo federal cederá às pressões de parlamentares e da sociedade e deverá voltar com o pagamento do benefício, também após dados ruins de setores da economia em dezembro, como comércio e serviços, elevando a necessidade de retomada do estímulo para a economia em meio à crise do novo coronavírus.

O analista da corretora Mirae Asset, Pedro Galdi, destaca que os ativos locais operam influenciados pela “desconfiança do estouro” do teto da dívida pública. “Lembramos que o governo e o Congresso irão se reunir no feriado [de Carnaval] para encontrar uma solução para a extensão do auxílio emergencial e os mercados lá fora estarão abertos no feriado”, comenta, reforçando o viés de cautela local.

Há pouco, o presidente da Câmara confirmou para hoje o encontro com Pacheco, do Senado, e Paulo Guedes para discutirem a extensão do auxílio emergencial e a agenda de reformas. Em entrevista à Agência CMA, o primeiro vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou que a nova rodada do benefício planejada pelos parlamentares terá valor entre R$ 200 e R$ 300, com duração de três a quatro meses, confirmando a declaração de Bolsonaro.

Ramos adiantou que o auxílio alcançará cerca de 30 milhões de pessoas e que a reforma administrativa deverá ser entregue após o carnaval, quando a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) deverá ser instalada.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta firme, em meio à cautela dos investidores antes da pausa prolongada no mercado doméstico por causa do carnaval. O período deve ser marcado por negociações em Brasília para definir as regras da nova rodada do auxílio emergencial.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,385%, de 3,34% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,965%, de 4,875% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,51%, de 6,43%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,19%, de 7,12%, na mesma comparação.