MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa segue em leve queda com investidores aproveitando para embolsar lucros depois de três altas consecutivas, em dia de feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o que mantém as Bolsas do país fechadas e leva a uma redução do volume de negócios. Com a agenda esvaziada no exterior, investidores também acompanham mais de perto declarações da equipe econômica sobre a questão fiscal.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,35%, aos 109.742,44 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 0,24%, aos 109.810 pontos.

“Com o feriado nos Estados Unidos e o mercado financeiro lá parado, aguardamos um desempenho modesto da Bolsa. Amanhã ainda acontece a Black Friday, sendo que as Bolsas de valores norte-americanas irão operar meio período, e com isto deveremos ter mais um dia de baixo volume financeiro”, disse o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi. O analista ainda lembra que o Ibovespa vem mostrando bom desempenho influenciado pelo fluxo de investidores estrangeiros.

Já na cena doméstica, analistas citam declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, que tentou minimizar o problema fiscal do Brasil e reagiu à fala de Roberto Campos Neto, depois que o presidente do Banco Central falou ao mercado sobre a deterioração fiscal. Guedes disse que se Campos Neto tem um plano melhor para recuperar a credibilidade fiscal, que perguntem a ele.

O Senado ainda aprovou na noite de ontem a nova Lei das Falências, faltando apenas a sanção do presidente Jair Bolsonaro para entrar em vigor, mas ainda não avançando nas grandes reformas e questões fiscais.

Entre os indicadores, houve a criação de 394.989 postos de trabalho em outubro, acima das estimativas do mercado.

Entre as ações, as maiores quedas do índice são da Cyrela (CYRE3 -2,38%), da CVC (CVCB3 -2,17%) e do Itaú Unibanco (ITUB4 -2,04%). Ainda entre as maiores quedas estão as ações da Petrobras (PETR3 -1,87%; PETR4 -1,86%), que acompanham a queda dos preços do petróleo e a realizações de lucros. A estatal ainda divulgou seu plano estratégico para os próximos cinco anos, mostrando prudência na alocação de investimentos.

O dólar comercial oscila sem rumo único frente ao real, abaixo de R$ 5,31, refletindo a entrada de recursos estrangeiros no mercado local, em sessão de poucos negócios e baixa liquidez em função do feriado de ação de graças nos Estados Unidos. A moeda abriu os negócios pressionada acompanhando o exterior e refletindo ruídos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,15%, sendo negociado a R$ 5,3120 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em dezembro de 2020 apresentava recuo de 0,26%, cotado a R$ 5,310.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca que após o mercado doméstico precificar os ruídos provocados pelas declarações do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, sobre o cenário fiscal e rebatidas ontem pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, houve um novo fluxo de entrada de recursos estrangeiros.

“Houve uma entrada de recursos estrangeiros pela via financeira logo após a formação da taxa Ptax, de 10 horas. Isso tirou a pressão do dólar vista na abertura da sessão influenciada pela ‘DR’ entre o Guedes e o Campos Neto”, comenta.

O presidente do BC reiterou em um evento recente a avaliação de que o mercado está desconfiado do compromisso do governo com o ajuste fiscal, e que é preciso recuperar a credibilidade nesta área com um plano claro. Sabendo dos comentários, o ministro da Economia rebateu Campos Neto em uma entrevista ontem, dizendo que o plano existe, é conhecido, e que se colega tem uma ideia melhor, que a apresente.

A equipe econômica da Guide Investimentos acrescenta que Guedes voltou a se mostrar “extremamente descontente” com relação às críticas que apontam para um governo que “está perdido” e não poupou nem o mandatário do Banco Central. “De fato, o plano para a sustentabilidade futura das contas públicas existe, o que não temos é um cronograma confiável em que o mesmo será posto em prática e aprovado”, avalia.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) inverteram o sinal positivo ensaiado logo na abertura do pregão e passaram a oscilar com leves baixas, na esteira da oferta maior que a esperada do Tesouro em leilão de títulos públicos e dos números melhores que o previsto sobre a geração de emprego formal no país (Caged). O dólar também apagou a alta, tentando firmar um viés negativo, o que ajuda no movimento da curva a termo.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,34%, de 3,35% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,05%, de 5,14% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,84%, de 6,93%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,61%, de 7,68%, na mesma comparação.