MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

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Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – Após abrir em alta, o Ibovespa passou a cair acompanhando a abertura morna das bolsas norte-americanas e puxado pela virada de ações de peso para o índice, como Petrobras e Vale, que divulgarão seus balanços do terceiro trimestre após o fechamento do mercado. Os papéis de siderúrgicas também pesam, com destaque para as ações da CSN, que recuam mais de 5% após dados trimestrais abaixo do esperado.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,49% aos 107.015,06 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 9,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em dezembro de 2019 apresentava recuo de 0,50% aos 107.685 pontos.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, é natural que o Ibovespa mostre maior fraqueza em algum momento, depois de três dias seguidos de alta e de renovações de recordes. Além disso, destaca alguma ansiedade dos investidores em relação ao início da temporada de balanços.

“Hoje temos o balanço da Vale e da Petrobras, que deixa todo mundo estressado. Operacionalmente, a Vale parece já ter melhorado, mas as coisas ficaram mais complicadas depois de Brumadinho”, disse Bandeira. Os papéis da Vale chegaram a abrir em alta hoje, mas logo passaram a operar em leve queda. As ações da Petrobras também passaram a cair, embora os preços do petróleo operem em alta.

As maiores quedas do Ibovespa, por sua vez, são de empresas que já divulgaram balanços, que vieram abaixo do esperado pelo mercado, caso da CSN e da Localiza. Na contramão, as maiores queda são da CCR, da WEG e da Ambev, que divulgará seu balanço amanhã de manhã.

No cenário externo, por sua vez, as bolsas norte-americanas operam novamente “de lado”, com o índice Dow Jones também mostrando leve queda em meio a balanços e indicadores do país. Ainda no exterior, a decisão do Banco Central Europeu (BCE) não trouxe novidades, ao manter juros inalterados.

O dólar comercial tem queda firme frente ao real, chegando às mínimas de R$ 4,00, mas resistiu a marca psicológica e segue acima deste patamar digerindo a entrada de recursos estrangeiros no país e ainda, na esteira do otimismo da aprovação da reforma da Previdência, atento ao exterior ausente de notícias negativas.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,49%, sendo negociado a R$ 4,0160 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2019 apresentava recuo de 0,50%, cotado a R$ 4,015.

Para analistas do banco Fator, a conclusão da aprovação da reforma da Previdência segue “dando suporte” para a valorização do real frente ao dólar. O economista-chefe da Daycoval Asset, Rafael Cardoso, reitera que a aprovação do texto, de fato, tirou um “fantasma” da frente, porém, fatores externos corroboram para o cenário mais positivo da moeda.

“Há trégua na guerra comercial [entre Estados Unidos e China] sem notícias negativas, mas o silêncio também diz que as negociações não estão tão simples. Não aparecer linhas concretas em torno do acordo também traz a leitura de que não sairá tão rápido”, diz.

Ele acrescenta que, somado ao exterior “mais benigno” e na esteira do otimismo com a Previdência, tem tido um fluxo de entrada de recursos estrangeiros importante nos últimos dias em linha com a expectativa de novas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) e à espera da cessão onerosa no começo de novembro. “Isso vem fazendo mais preço do que a Previdência em si. Até porque a Previdência não foi aprovada de uma forma rápida e simples e ela já havia sido precificada”, ressalta.

 Mais cedo, saiu a decisão de política monetária do BCE que manteve a taxa de juros em zero. Na despedida do presidente da instituição, Mario Draghi – que deixa o cargo na semana que vem – foi reforçada uma política de estímulos monetários para a zona do euro, dando continuidade à mensagem do último comunicado, no mês passado, diz o economista.

“A fala do Draghi e o comunicado do BCE não trouxeram novidades, até porque ele está saindo do banco. Mas destacou algo que poderá ser o mote da gestão de Christine Lagarde [próxima presidente da instituição] que é a política fiscal. Ela quebrou um paradigma quando esteve no FMI [Fundo Monetário Internacional] em relação a isso e deve levar essa discussão para o BCE”, explica.

Após abrir com leves oscilações, as taxas dos contratos futuros (DIs) de juros passaram a cair, acompanhando a trajetória negativa do dólar, que testa a faixa de R$ 4,00. Um fluxo positivo favorece o movimento do mercado doméstico, mas a curva a termo local já começa a mostrar certa limitação para seguir em queda.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,818%, de 4,840% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2021 estava em 4,44%, de 4,50%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,40%, de 5,46% após ajuste de ontem; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,05%, de 6,13%, na mesma comparação.