MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

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Por Danielle Fonseca, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa oscila entre leves altas e quedas no início do pregão acompanhando as variações modestas nos principais mercados acionários no exterior, com investidores esperando mais detalhes do acordo comercial entre China e Estados Unidos anunciado na última sexta-feira.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava alta de 0,16% aos 104.003,65 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 4,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2019 apresentava avanço de 0,55% aos 104.120 pontos.

“Há muita indefinição em relação ao que saiu na sexta-feira sobre esse acordo em negociações de primeira fase e tem o Brexit também, então é bem natural que os mercados mostrem alguma cautela, mas acredito que o índice pode se manter alta”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

As informações divulgadas até o momento indicam que a China prometeu comprar mais produtos agrícolas dos Estados Unidos que, em contrapartida, não elevarão de 25% para 30% a alíquota de importação sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses – como estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira. No entanto, a China disse que precisava ter mais discussões antes de assinar a primeira fase do acordo comercial, de acordo com uma reportagem de hoje na “Bloomberg”.

Já na Europa, o mercado segue acompanhando os acontecimentos referentes ao Brexit no início de uma semana crucial, com a reabertura do Parlamento do Reino Unido e negociações entre Londres e Bruxelas.

Entre as ações de maior peso para o índice, as de bancos passaram a subir e ajudam o Ibovespa a operar majoritariamente no campo positivo, caso do Itaú Unibanco. Já as maiores altas são das ações da Gol e da Azul, em meio a rumores de que a Gol estaria negociando uma parceria com a American Airlines.

Na contramão, as maiores quedas são das ações da Vale e de siderúrgicas, como Usiminas e Gerdau. Segundo Bandeira, os papéis refletem a queda de mais de 2% dos preços do minério de ferro no mercado à vista na China, depois de dados mais fracos da balança comercial chinesa. Além disso, a Vale mostrou queda de 17,4% na produção de minério de ferro no terceiro trimestre deste ano frente ao mesmo período do ano passado, embora já fossem esperadas perdas.

O dólar comercial tem alta firme frente ao real seguindo o clima de aversão ao risco no exterior em meio às incertezas dos investidores com o acordo parcial firmado entre Estados Unidos e China na sexta-feira, porém, os dados abaixo do esperado da balança comercial do país asiático ampliam o sentimento de cautela.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,90%, sendo negociado a R$ 4,1330 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em novembro de 2019 apresentava avanço de 0,59%, cotado a R$ 4,136.

“Não tem nada definido sobre a guerra comercial. A única coisa que o mercado sabe é que amanhã não terá cobrança de novas tarifas sobre produtos chineses como estava programado. No mais, há muitas incertezas. Não se sabe, ao certo, o que foi acordado entre os países”, comenta a economista da Capital Markets, Camila Abdelmalack.

A economista reforça que o acordo parcial entre Estados Unidos e China se contrasta com os dados ruins da China impactados justamente pelos conflitos tarifários entre os países. “O Brexit [acordo de saída do Reino Unido da União Europeia] segue no radar do mercado, mesmo sem novidades nos últimos dias. Apenas o prazo de saída se aproxima [31 de outubro] e aqui, a pauta política, por enquanto, está fraca”, ressalta.

As taxas dos contratos futuros de juros (DIs) seguem com leves oscilações, mas ensaiam uma continuidade da retirada de prêmios, visto com força na semana passada. O cenário de inflação oficial (IPCA) e juros básicos (Selic) baixos sustentam o movimento, que é limitado pela alta exibida pelo dólar. 

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 4,913%, de 4,925% no ajuste anterior, na última sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 estava em 4,55%, de 4,58%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,55%, de 5,58% após o ajuste final da semana passada; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,23%, de 6,25%, na mesma comparação.