MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa já abriu em forte alta e caminha para o sexto dia de ganhos em meio a dados de criação de emprego nos Estados Unidos, conhecidos como payroll, que vieram muito acima do esperado pelo mercado.

Foram criadas 2,5 milhões de vagas em maio, sendo que o mercado previa o fechamento de 8,75 milhões de vagas. Já a taxa de desemprego caiu para 13,3% em maio, frente a previsão de 19,7% de analistas, dando sinais de que a recuperação pode ser mais rápida do que se pensava após a crise causada pelo novo coronavírus.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília) o Ibovespa registrava alta de 2,32%, aos 96.013,99 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 19,1 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2020 apresentava valorização de 2,44%, aos 96.090 pontos.

“O payroll espetacular garante alta do mercado pelo sexto pregão seguido e a semana vai fechar bombando na recuperação. É o espetáculo da economia americana que se ajusta muito rápido”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

Embora tenham surpreendido e dêem sinais de que recontratações já começaram no país, o órgão do governo responsável pela elaboração do indicador explicou que a taxa real de desemprego nos Estados Unidos em maio provavelmente foi maior do que a reportada porque algumas pessoas que deveriam ser contabilizadas como desempregadas foram consideradas como empregadas, já que estavam ausentes do trabalho ou foram dispensadas temporariamente.

Os dados alimentam e busca por risco e otimismo já existentes diante do excesso de liquidez mundial, após medidas de estímulos e reabertura de economias em diversos países. Ontem, por exemplo, o Banco Central Europeu (BCE) anunciou a ampliação de seu programa emergencial de compra de ativos em 600 bilhões de euros, para 1,350 trilhão de euros.

O dólar comercial ampliou as perdas frente ao real e opera abaixo do nível de R$ 5,00 pela primeira vez desde 26 de março quando atingiu as mínimas de R$ 4,97. O otimismo que prevalece no exterior após a divulgação de dados melhores do que o esperado do mercado de trabalho norte-americano levaram a moeda aos menores níveis em 11 semanas.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava retração de 3,25%, sendo negociado a R$ 4,9660 para venda. No mercado futuro, contrato da moeda norte-americana com vencimento em julho de 2020 apresentava desvalorização de 3,04%, cotado a R$ 4,969.

“A moeda furou uma importante marca dos R$ 5,00 após um payroll surpreendente”, comenta o diretor de uma corretora nacional.

O economista da Tendências Consultoria, Sílvio Campos, avalia que o resultado surpreendeu “largamente” o mercado, tendo em vista que a visão consensual ainda apontava para o fechamento expressivo de empregos. “A melhora inesperada renova o otimismo com a superação da fase mais aguda da crise. Como sempre, sinais positivos da maior economia do mundo representam uma injeção de ânimo às expectativas dos agentes econômicos”, diz.

Apesar dos números abaixo do esperado, o Departamento do Trabalho norte-americano, órgão do governo responsável pela elaboração do payroll, explicou que a taxa real de desemprego provavelmente foi maior do que a reportada porque algumas pessoas que deveriam ser contabilizadas como desempregadas foram consideradas como empregadas.

“Os trabalhadores que indicaram não estar trabalhando durante toda a semana de referência da pesquisa e que esperam ser reconvocados para seus empregos deveriam ser classificados como desempregados sob dispensa temporária. Em maio, um grande número de pessoas foi classificado como desempregado sob dispensa temporária”, diz o órgão acrescentando que também houve um grande número de trabalhadores que foram classificados como empregados, mas ausentes do trabalho.

Campos pondera que, apesar das divergências, o resultado não invalida a melhora observada. “Nesse sentido, a rápida retomada do mercado de trabalho surpreende e os dados reiteram o alto dinamismo da economia norte-americana, com sua capacidade de absorver choques e superá-los rapidamente”, reforça.

Após ensaiar um ligeiro viés positivo logo na abertura do pregão, as taxas dos contratos de juros futuros (DIs) firmaram-se em alta, indo na contramão do rali dos ativos de risco doméstico, o que derruba o dólar para abaixo de R$ 5,00 e impulsiona o Ibovespa rumo aos 100 mil pontos. A curva a termo local recompõe prêmios, reagindo a declarações do diretor de política econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 2,195%, de 2,175% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,11%, de 3,01% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,20%, de 4,07%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 5,83%, de 5,71%, na mesma comparação.