Bolsa sobe e dólar comercial cai com dados positivos nos EUA

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São Paulo – Apesar de o Ibovespa ter desacelerado ganhos com a queda de ações da Vale e com uma leve realização de lucros, o otimismo global após dados de emprego nos Estados Unidos prevaleceu e fez o índice fechar em alta de 0,86%, aos 94.637,06 pontos. Trata-se do sexto pregão seguido de alta, enquanto na primeira semana de junho, o Ibovespa subiu 8,28%, mostrando a terceira semana consecutiva de valorização.

Além de refletir a recuperação mostrada pelos números de emprego norte-americanos, conhecidos como payroll, a busca por risco vista nos últimos dias é alimentada pela reabertura de economias e estímulos já anunciados por bancos centrais, que garantem liquidez aos mercados. Perto da abertura do pregão, o índice chegou a subir mais de 3%, ultrapassando os 97 mil pontos. O volume negociado hoje foi de R$ 37,8 bilhões, considerado elevado por analistas.

Para o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, o payroll foi “espetacular” garantindo a continuidade de ganhos do Ibovespa e mostrou que a economia americana “se ajusta muito rápido”. Foram criadas 2,5 milhões de vagas nos Estados Unidos em maio, sendo que o mercado previa o fechamento de 8,75 milhões de vagas. Já a taxa de desemprego caiu para 13,3%, frente a previsão de 19,7% de analistas.

Já o sócio-analista da Eleven Financial Research, Raphael Figueredo, lembra que o otimismo já era forte em todas as Bolsas mundiais diante de estímulos anunciados em meio à pandemia do novo coronavírus. “Os mercados no mundo vão ganhando fôlego e vem ainda estímulos fortes de programas de incentivos dos governos e bancos centrais, apesar de aqui no Brasil o noticiário ser negativo, termos ultrapassado o número de mortos por covid-19 da Itália”, disse, em vídeo a clientes.

Entre as ações, as de bancos ficaram entre as que mais pesaram para a alta do índice, se recuperando de quedas anteriores, caso do Itaú Unibanco (ITUB4 2,21%). Os papéis, no entanto, reduziram a alta após subirem mais de 6% perto da abertura do pregão, em um movimento natural de realização de lucros.

Já as maiores altas do índice foram Yduqs (YDUQ3 9,88%), que anunciou a compra do Athenas Grupo Educacional por R$ 120 milhões, além dos papéis da Azul (AZUL4 10,95%) e da Gol (GOLL4 10,03%), que estão entre os que mais sofreram desde o início da pandemia.

No fim de semana, o analista da Eleven lembra que podem surgir novidades sobre a possível extensão dos cortes de produção de petróleo, já que haverá reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep). Já a próxima segunda-feira deve trazer pouco indicadores e o destaque ficará com o discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, às 10h45, ao Comitê de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu.

O dólar comercial fechou em forte queda de 2,86% no mercado à vista, cotado a R$ 4,9860 para venda, abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde 13 de março – quando encerrou a R$ 4,8280 – refletindo o otimismo generalizado após dados do mercado de trabalho norte-americano, o payroll, melhores do que o esperado. Na semana, a moeda fechou com forte retração de 6,57%, no maior recuo percentual semanal desde outubro de 2008 (-7,18%), na terceira semana seguida de desvalorização.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, reforça que investidores reagiram de forma “bastante” positiva aos dados melhores que o esperado do payroll.

Os números “surpreenderam” analistas do mercado, o que levou a moeda a romper o nível abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez desde o fim de março, chegando a renovar mínimas sucessivas a R$ 4,9360. “Foi uma semana positiva para os ativos de risco, que tem sido impulsionado pelo otimismo em relação a retomada das atividades nas principais economias. O payroll contribuiu bastante para esse sentimento”, comenta.

O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, acrescenta que o bom humor dos investidores domésticos também tem como pano de fundo a política local. “Favorecida após a aprovação do pacote de ajuda a estados e municípios, vetando aumento para os servidores públicos, o que reduz o impacto fiscal. Além do afastamento da possibilidade de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro após a divulgação do vídeo da reunião ministerial em abril”, avalia. O economista destaca que o risco político “pesa muito” na precificação dos ativos domésticos.

Na próxima semana, marcada pelo feriado local na quinta-feira, e pela decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Ortiz aposta em continuidade de baixa da moeda, porém, ele chama a atenção para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central nos dias 16 e 17 no qual começa a prevalecer a aposta de corte de 0,75 ponto percentual da taxa Selic.

“O que deverá fazer pressão no dólar nos próximos dias. Importante se atentar a isso”, diz. Sobre o Fed, a equipe econômica do Bradesco reforça que o mercado ficará atento ao comunicado, à possíveis revisões de projeção do Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano e à costumeira entrevista do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell.