MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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São Paulo – O Ibovespa segue em queda acompanhando o tom de cautela visto no exterior com investidores monitorando o número de casos do novo coronavírus e aproveitando para embolsar lucros após uma sequência de três pregões de alta, o que não era visto há quase dois meses.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 4,53% aos 74.184,55 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,3 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 4,48% aos 74.150 pontos.

“Essa queda de hoje é natural, depois de três dias de alta e com final de semana se aproximando. Investidores preferem se proteger de alguma possível notícia negativa que pode sair. O cenário não mudou muito de ontem para hoje”, disse o sócio da DNAInvest, Leonardo Ramos.

O número de infecções causadas pelo novo coronavírus no mundo segue crescendo como o esperado e passou de 526 mil, segundo dados compilados pela Universidade Johns Hopkins. As mortes por coronavírus totalizam 23,709 mil. A novidade do levantamento é que os dados mostram que os Estados Unidos superaram a China pela primeira vez em número de contaminados, somando 82,404 mil casos e 281 mortes apenas na cidade de Nova York. A China aparece em segundo lugar, com 81,782 mil casos e 3,169 mil mortes apenas na província de Hubei.

Investidores também seguem digerindo o tamanho e eficácia de medidas já tomadas por governos e bancos centrais para mitigar efeitos da pandemia. Ontem, os países do G-20 (grupo que reúne economias mais industrializadas e países emergentes) comprometeram-se a fazer o necessário para apoiar a economia global, acrescentando que estão injetando US$ 5 trilhões na economia global. Já nos Estados Unidos, a Câmara dos Deputados do país deve votar ainda hoje um pacote de US$ 2 trilhões.

O dólar comercial acelerou a alta frente ao real e sobe mais de 2% acompanhando o cenário de aversão ao risco que prevalece no exterior desde a abertura dos negócios. Além do viés de recuperação após os mercados operarem positivos por três sessões seguidas. A moeda estrangeira, que ontem operou nos R$ 4,97, passa de R$ 5,10.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 2,14%, sendo negociado a R$ 5,1070 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abri de 2020 apresentava avanço de 1,67%, cotado a R$ 5,106.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, ressalta que a aversão ao risco voltou no exterior e aqui acompanha, além de uma cautela típica à véspera do fim de semana, principalmente, em meio ao crescimento dos casos confirmados e das mortes decorrentes do novo coronavírus no mundo. “O investidor pisa no freio com esses dados cada vez mais altos”, comenta.

Rugik acrescenta que a liquidez segue bem reduzida no mercado doméstico, apesar do exportador aproveitar o patamar do dólar acima de R$ 5,10 para fazer negócios. “Enquanto as operações do investidor seguem de lado. Mas a gente observa que o spread segue muito forte nas operações de instituições financeiras com o comércio exterior tanto no mercado à vista quanto no mercado futuro”, destaca.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, não descarta a possibilidade do Banco Central (BC) voltar a intervir no mercado cambial em meio à sessão que voltou a exibir instabilidade. “Se ele entender que tem distorção no mercado, ele deve entrar sim”, avalia.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta, acompanhando mais timidamente o movimento de realização de lucros nos demais mercados globais, após três dias seguidos de valorização dos ativos de risco. Os investidores redobram a postura defensiva, à espera de novidades sobre a pandemia de coronavírus nos próximos dias.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,535%, de 3,49% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,52%, de 4,43% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,80%, de 5,68%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 7,07%, de 7,04%, na mesma comparação.