Itaú vê inadimplência e economia melhor que o previsto no 1T21

Fachada de agência do Itaú. (Foto: Thomas Hobbs/Flickr)

São Paulo – Apesar da piora da pandemia de coronavírus no Brasil este ano, o Itaú Unibanco afirmou que os seus resultados e a inadimplência foram melhores do que o previsto no primeiro trimestre, o que faz com que avaliem a atividade econômica como resiliente e vejam o cenário com um viés positivo para 2021. No entanto, a previsão é que a inadimplência deve voltar a subir no segundo trimestre e que as provisões que fizeram no passado sejam em parte consumidas ao longo do ano, trajetórias já esperadas pelo banco.

“No ano passado, a desaceleração da atividade foi muito mais forte, agora, está mais resiliente. Esperamos que o PIB cresça 3,8% este ano e com viés de alta, devemos atualizar o cenário macro nos próximos dias”, disse o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, a jornalistas, em coletiva de imprensa de resultados do primeiro trimestre.

Ainda no cenário macroeconômico, afirmou que o câmbio está em um patamar mais razoável, mas ainda muito volátil, em meio a preocupações com o nível de endividamento do País, enquanto a taxa de juros entrou em o que avalia como ciclo claro de aumento, com a Selic devendo chegar a 5,5% este ano.

A expectativa ainda é que no quarto trimestre deste ano ocorra uma maior normalização e retomada da atividade, com o avanço da vacinação, embora destaque que ainda há um grau elevado de incerteza.

“Em relação à inadimplência, tenho que reconhecer, é melhor do que de fato imaginamos, teve expansão fiscal, auxílio emergencial, aumento de poupança, mas o setor de pequenas empresas está mais pressionado. No próximo trimestre deve ter uma deterioração de NPL, mas dentro do esperado, talvez até melhor”, afirmou.

Entretanto, para frente, avaliou que “é possível que as provisões sejam consumidas à medida em que as perdas ocorram, mesmo com viés positivos, depois de um trimestre com perdas de gastos baixo e sem consumo de previsões”.

Sobre as margens do banco, Maluhy disse que após três trimestres com redução – efeito do programa Travessia, feito para clientes enfrentarem a pandemia, e da queda dos juros – ela mostrou melhora no primeiro trimestre e esperam uma normalização ao longo do ano.

Entre os fatores para a melhora da margem, citou o desempenho positivo de tesourarias no Brasil e em outros países, aproveitando o movimento de alta de juros, além do crescimento de carteiras garantidas, como de crédito imobiliário e veículos, onde esperam continuar crescendo. Segundo o presidente do banco, já houve crescimento em cheque especial e crediário, em velocidade boa, mas não suficiente para impactar saldo médio.

Maluhy explicou que no crédito para veículos houve aumento grande na demanda e que houve um reposicionamento do banco na forma de operar em lojas e franquias, mantendo a expectativa positiva de crescimento nesse segmento.

No segmento de agronegócios, afirmou que o foco era em grandes clientes e o banco vem buscando ampliar a sua atuação, aproveitando o crescimento do setor.

Sobre o desempenho no segmento de cartões, o executivo afirmou que o primeiro trimestre foi afetado negativamente por fatores sazonais e teve impacto negativo de nova fase da pandemia, que teve algum impacto no consumo, no entanto, disse que a volatilidade é natural e há expectativa de retomada ao longo do ano.

RENTABILIDADE

O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, prevê também que o nível de rentabilidade do banco não retornará ao nível visto em 2019 no curto prazo em função do impacto de juros mais baixos, efeitos da pandemia de coronavírus, entre outros fatores. No entanto, disse esperar que 2022 já seja um ano mais típico, no mínimo, menos atípico do que os de 2020 e 2021.

“Há uma série de fatores e efeitos que fazem a gente acreditar que não voltaremos no curto prazo à rentabilidade de 2019, mas o objetivo é a criação de valor. Também fizemos uma decisão de abrir mão de margem agora, mas é uma renúncia que é um investimento na relação com cliente ao longo do tempo”, disse em teleconferência com analistas sobre os resultados do
primeiro trimestre.

Segundo Maluhy, essa decisão se refere à criação, por exemplo, do programa Travessia, que trouxe facilidades para ajudar clientes a enfrentarem as dificuldades trazidas pela pandemia. No entanto, apesar de trazer perdas no curto prazo, o executivo afirma que ele trará melhora da relação com os clientes e maior lealdade.

Sobre o guidance divulgado no início do ano para 2021, o presidente do banco disse que ele está mantido e a expectativa é de alcançá-lo, embora admita que existam desafios e que o grau de incerteza ainda esteja elevado. Ele espera que a economia mostre maior normalização principalmente a partir do quarto trimestre, conforme a vacinação contra o coronavírus cresça.

“Continuamos achando que somos capazes de cumprir o guidance em todas as linhas, com diferenças e desafios. A margem com o mercado teve resultado extraordinário no primeiro trimestre e deve normalizar ao longo do ano, e o custo do crédito tem sido o ponto mais positivo, podemos entregar até abaixo. Mas não dá para rever o guidance ainda, por que ainda tem muita incerteza”, explicou.

WHATSAPP

O Itaú Unibanco ainda afirmou que avalia uma parceria com o Whatsapp, assim como avalia todas as alternativas de mercado para
continuar crescendo e avançando na digitalização. Em março, o Banco Central(BC) autorizou que o aplicativo Whatsapp, que pertence ao Facebook, faça transações bancárias.

Até o momento, o BC permitiu que o serviço seja oferecido em parceria com as bandeiras de cartões Visa e Mastercard. A Cielo também já pediu autorização para trabalhar com o aplicativo.

“Analisamos todas as alternativas de mercado e se isso significar fazer parte do Whatsapp isso está sendo avaliado”, disse o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, a jornalistas, em coletiva de imprensa de resultados do primeiro trimestre.

IRB BRASIL

Questionado sobre os problemas recentes na resseguradora IRB Brasil, na qual o banco é acionista, com 11% de participação, Maluhy disse que depois de um período bastante adverso e má administração, a expectativa agora é positiva.

“Teve aumento de capital, eles passaram por período muito adverso, má gestão, era difícil ter visibilidade e eles estão sendo investigados, mas estamos confortáveis com avanços que estão tendo de governança. Temos expectativa positiva de que problemas já tenham sido resolvidos, com base em informações de mercado que temos”, afirmou.