Feriado nos EUA traz baixa liquidez e volatilidade ao mercados

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São Paulo – O Ibovespa fechou com valorização pelo quarto pregão seguido ao subir 0,08%, aos 110.227,09 pontos, depois de mostrar variações modestas nos campos positivo e negativo ao longo do pregão. O índice perdeu força em dia marcado pelo fraco volume de negócios em função de feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, o que mantém as Bolsas fechadas no país e reduz o fluxo de investimentos estrangeiros por aqui.

O índice, porém, conseguiu manter os 110 mil pontos, em níveis de fevereiro, amparado por ações ligadas a commodities, como as siderúrgicas e empresas de papel e celulose. Por outro lado, bancos e a Petrobras pesaram negativamente. O volume total negociado foi de R$ 21,7 bilhões.

“O Ibovespa fechou bem perto da estabilidade, o feriado nos Estados Unidos reduziu a liquidez e amanhã tem Black Friday. As Bolsas norte-americanas funcionarão apenas por metade do pregão, o que também deve diminuir a liquidez”, disse o analista da Toro Investimentos, Lucas Carvalho.

Entre as ações, as da Suzano (SUZB3 5,67%), CSN (CSNA3 4,52%), Usiminas (USIM5 4,04%) e Petro Rio (PRIO3 5,16%), fecharam entre as maiores altas do Ibovespa. Ainda entre as maiores altas, estão as ações da Cogna (COGN3 4,30%). Segundo Carvalho, no caso da Suzano há expectativas positivas para o setor, com maior demanda na China e quedas de estoques na Europa.

Na contramão, as maiores quedas do índice foram do Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3 -2,58%), do Itaú Unibanco (ITUB4 -2,11%) e do Pão de Açúcar (PCAR3 -2,05%). Também pesaram negativamente, as ações da Petrobras (PETR3 -1,53%; PETR4 -1,63%), em dia de queda dos preços do petróleo e após a companhia apresentar seu plano estratégico para os próximos anos.

O dólar comercial fechou em alta de 0,31% no mercado à vista, cotado a R$ 5,3370 para venda, em sessão de forte volatilidade em meio ao feriado de ação de graças nos Estados Unidos, o que refletiu em poucos negócios e liquidez reduzida. A moeda, que operou com sinais positivo e negativo, ainda se beneficiou com a entrada de mais fluxo de recursos estrangeiros.

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, destaca o movimento volátil na sessão com a moeda chegando às máximas acima de R$ 5,35 logo após a abertura dos negócios, porém, passou a cair ao longo de boa parte do pregão reagindo “aos ingressos de fluxo cambial”, em dia de baixa liquidez e de poucos negócios.

“O fluxo fez com que a moeda registrasse a mínima do dia na faixa dos R$ 5,29. Porém, perto do encerramento, o dólar voltou a recuperar valor, com sinal positivo, acompanhando o movimento externo”, comenta.

O economista da Guide Investimentos, Alejandro Ortiz, reforça que a volatilidade observada ao longo da sessão, principalmente na primeira parte dos negócios, refletiu o receio do mercado doméstico com o risco fiscal diante os ruídos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto. “Foi mais a narrativa em torno do cenário fiscal com a pequena troca de farpas entre o Guedes e Campos Neto, que trocaram ‘mini insultos’, avalia.

Em um evento recente, o presidente do BC reiterou a avaliação de que o mercado está desconfiado do compromisso do governo com o ajuste fiscal, e que é preciso recuperar a credibilidade nesta área com um plano claro. Em entrevista ontem, o ministro da Economia rebateu Campos Neto dizendo que o plano existe, é conhecido, e que se colega tem uma ideia melhor, que a apresente.

Amanhã, com a agenda de indicadores esvaziada e com o mercado financeiro norte-americano operando em horário reduzido, Ortiz acredita que a moeda deve operar estável ou com tendência de alta. “Acho difícil o dólar cair abaixo de R$ 5,30 sem sinalização em relação ao cenário fiscal. Vejo um viés de reajuste para cima”, pondera.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) encerraram a sessão em queda, apesar da falta de definição do dólar, na esteira da oferta maior que a esperada do Tesouro em leilão de títulos públicos e dos números melhores que o previsto sobre a geração de emprego formal no país (Caged). Ainda assim, o feriado nos Estados Unidos enxugou a liquidez dos negócios.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 ficou com taxa de 3,31%, de 3,35% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 terminou projetando taxa de 5,01%, de 5,14% após o ajuste ontem; o DI para janeiro de 2025 encerrou em 6,82%, de 6,93%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,60%, de 7,68%, na mesma comparação.