Demanda global por viagens áreas cai 72% em comparação a 2019, diz Iata

Foto: Divulgação / Governo britânico

São Paulo – A demanda global por viagens aéreas domésticas e internacionais, avaliada número de passageiros pagantes multiplicados pela distância de cada voo no mês (RPK), caiu 72% em janeiro deste ano, em comparação a dos níveis anteriores à pandemia de covid-19, em janeiro de 2019, e 6,65% em relação a dezembro do 2020, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês).

A oferta de assentos, medida em assentos-quilômetros oferecidos (ASK, na sigla em inglês) teve queda de 58,7% na mesma comparação. Com isso, o aproveitamento das aeronaves chegou a 54,1%, recuo de 25,7 pontos percentuais.

No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a demanda registra queda de 65,1%, na comparação com igual período do ano passado, com redução de 56,4% na oferta e aproveitamento dos aviões de 66,1%, diminuição de 16,9 pontos percentuais.

Segundo a entidade, esta foi a pior queda desde o recorde negativo registrado em dezembro do ano passado, de 69,7%, na comparação ano-após-ano.

A demanda de passageiros em voos internacionais caiu 85,6% em janeiro de 2021 versus janeiro de 2019, em linha com o índice de dezembro de 2020, quando a queda foi de 85,3%.

Já no tráfego doméstico, a demanda total declinou 47,4% em relação ao nível pré-crise (janeiro de 2019). Em dezembro, este índice apresentou queda de 42,9%. O enfraquecimento foi atribuído à restrição das viagens domésticas na China no feriado de ano novo lunar.

“Este ano está começando pior do que 2020 terminou e isso diz muito. Mesmo que os programas de vacinação ganhem ritmo, novas variantes da covid-19 estão fazendo os governos restringirem as viagens. As incertezas a respeito de quanto tempo essas restrições durarão também têm impacto em viagens futuras. Reservas para o verão no hemisfério norte estiveram 78% abaixo dos níveis registrados em fevereiro de 2019”, disse o presidente da entidade, Alexandre de Juniac, em nota.

Na avaliação da entidade, a recuperação da indústria do turismo dependerá do aumento da oferta de testes e distribuição de vacinas.

AMÉRICA LATINA E BRASIL

A América Latina foi a segunda região menos movimentada das seis contabilizadas pela entidade, atrás da África. As companhias aéreas da região experimentaram uma queda de demanda de 78,5% em janeiro, em comparação com o mesmo mês de 2019, piorada de uma queda de 76,2% em dezembro ano a ano. A capacidade no mês foi 67,9% inferior em relação a janeiro de 2019 e a taxa de ocupação caiu 27,2 pontos percentuais para 55,3%, a maior entre as regiões pelo quarto mês consecutivo.

Em relação a janeiro de 2019, o Brasil registrou quedas de 31,4% em demanda, 29,4% em oferta e, com isso, o aproveitamento das aeronaves chegou a 81,6%, recuo de 2,4 pontos percentuais.

“Embora o Brasil enfrente um aumento significativo em casos de covid-19 recentemente, as restrições de viagens permanecem relativamente frouxas”, aponta a Iata.