Copom está mais voltado para 2022 que 2023, diz Kanczuk

Diretor de Política Econômica do Banco Central, Fabio Kanczuk, (Foto:Raphael Ribeiro / BCB)

São Paulo – O Comitê de Política Monetária (Copom) está mais preocupado com o nível da inflação em 2022 porque precisa colocar o indicador nos trilhos no ano que vem para conseguir acertar o controle da taxa em 2023, disse o diretor de política econômica do Banco Central (BC), Fabio Kanczuk, durante um evento promovido pelo HSBC.

“Quero olhar para 2022 como foco, porque neste ponto do tempo, com inflação rodando a 10%, ficou mais incerto em relação a inércia, a como modelos funcionam. Eu quero ir e focar em 2022 e pensar que, se não acertar 2022, se eu confiar demais em alguns detalhes da inércia, errando 2022 eu também não vou acertar 2023”, disse ele.

O diretor negou que o Copom tenha tirado o pé do acelerador nas decisões de elevar a taxa básica de juros (Selic) por receio de deixar a inflação muito abaixo da meta, e reiterou que a instituição está avaliando os dados colhidos a respeito dos preços para definir a política monetária.

“Tudo pode acontecer”, disse Kanczuk, acrescentando que a sinalização de alta de 1 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Copom não é um compromisso do grupo com esta elevação. “Já mudamos antes e podemos mudar no futuro.”

SERVIÇOS

Kanczuk também comentou sobre a inflação no setor de serviços, afirmando que os preços neste segmento estão aumentando gradualmente, limitados em parte pela inércia característica deste setor da economia – o que não acontece com os preços de alimentos e bens industriais, que operam praticamente sem inércia e estão subindo por causa de choques nestes segmentos.

Ele ressaltou que existe a possibilidade de a inflação de serviços ter sofrido uma mudança em decorrência da pandemia, e que isso poderia levar os preços neste segmento para níveis mais altos do que historicamente deveriam ser esperados.

Segundo o diretor, a inflação do setor de serviços tende a ser mais suave e a acompanhar a trajetória passada dela mesma ou dos preços livres. “Não importa muito o que aconteceu com preços administrados, o que aconteceu com preços de bens para determinar inflação futura dos serviços.”

Isso supostamente significaria que a inflação no setor aumentaria até atingir níveis menores aos observados na economia geral, mas no momento este comportamento pode ser diferente porque os prestadores de serviço ficaram algum tempo parados por causa da pandemia, e podem buscar a informação sobre o reajuste de preços na inflação geral.

“A variável que vai determinar a inflação de preços de serviços mudou, do nosso ponto de vista. Será um inflação mais geral que vai afetar a inflação de serviços, então pode ser maior do que modelo anterior previa”, disse Kanczuk.