Butantan indica que pode ficar sem insumo de vacinas este mês

Doses da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. (Foto: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo)

São Paulo – O Instituto Butantan pode deixar de entregar todas as doses de vacinas contra a covid-19 previstas para este mês porque há insumos suficientes apenas para concluir as entregas até o dia 14, disse o diretor da instituição, Dimas Covas. Ele atribuiu a demora da China em entregas os insumos para a produção das vacinas a declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro.

“Existe dificuldade. Burocracia que está sendo mais lenta do que seria o habitual, e com autorizações muito reduzidas de volumes”, disse ele mais cedo durante uma entrevista coletiva, a respeito da entrega do Insumo Farmacêutico Ativo (IFA) pela China para a fabricação da vacina.

“Isso obviamente que tem impacto, as declarações tem impacto, e ficamos à mercê desta situação porque não vamos ter de fato condições de entregar. Nós temos de entregar ainda até dia 14 o restante, que vai totalizar 5 milhões de doses, do IFA de 3 mil litros e após isso não temos mais matéria-prima para processar”, disse Covas.

“Esta é a situação. Pode faltar? Pode faltar, e aí temos que debitar isso principalmente ao nosso governo federal que tem remado contra. Essa é a grande conclusão”, afirmou.

Segundo o cronograma mais recente do Ministério da Saúde, o Butantan entregaria 5 milhões de doses de vacinas em maio. Se houver o atraso mencionado por Covas, ficariam faltando 2 milhões de doses. As vacinas que foram entregues hoje e as que serão produzidas até dia 14 foram envasadas a partir de 3 mil litros de insumos recebidos no dia 19 de abril. O próximo lote de insumos deveria chegar até dia 15 de maio.

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro insinuou que a China teria usado o vírus causador da covid-19 para promover uma guerra. “É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou se nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu o seu PIB? Não vou dizer para vocês.”

Ainda ontem, o presidente tentou voltar atrás na declaração. “Eu não falei a palavra China. Eu falei a palavra China hoje de manhã? Eu não falei”, afirmou. “Agora, muita maldade tentar aí um atrito com um país que é muito importante pra nós. E nós somos importantes para eles também. Vocês que interpretaram”, completou.