BRF deve buscar aquisições no exterior e analistas indicam cautela

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Foto Divulgação/BRF

São Paulo – O plano estratégico da BRF, anunciado ontem a investidores, foi considerado ambicioso pelo mercado e está ancorado na entrada ou na ampliação de sua presença em categorias de produtos com maior valor agregado no Brasil, além de depender de aquisições e de sua expansão internacionalmente. Porém, devido à ousadia em um cenário ainda de incertezas, analistas mostram cautela quanto ao cumprimento de algumas projeções.

Os analistas do BTG Pactual, Thiago Duarte e Henrique Brustolin, estimam que para ampliar a participação dos produtos de maior valor agregado para 70% das receitas (de 50% hoje), cerca de 20% do resultado deve vir de fusões e aquisições, e até mesmo cerca de 40% do crescimento da receita entre 2020 e 2023 também deve ser impulsionado por aquisições, principalmente em mercados desenvolvidos e de crescimento rápido.

“Um plano tão ousado não pode ser considerado pelo valor de face, obviamente, ainda mais para um setor em que o crescimento agressivo frequentemente leva a resultados controversos”, diz o BTG.

Por conta disso, os analistas temem que os múltiplos de entrada da companhia não pareçam atraentes, o que levou o banco de investimentos a avaliar os papéis da BRF na classificação “neutra”, indicando incertezas em relação ao financiamento e rentabilidade estabelecidos pela companhia.

Por outro lado, os analistas do BTG esperam ganhos em eficiência e inovação devido aos investimentos em tecnologia anunciados pela BRF para os próximos quatro anos.

Os analistas do Credit Suisse, Victor Saragiotto e Felipe Vieira, também fizeram avaliações na mesma linha do BTG, considerando que o plano trouxe boas promessas, porém, difíceis de serem cumpridas, principalmente no cenário desafiador esperado para o ano que vem. Adicionalmente, a análise indica que a estratégia de expansão ancorada na internacionalização aumenta o ceticismo em relação à companhia, apesar das boas iniciativas implementadas por sua administração.

Mais otimista, o analista da Mirae Asset Corretora, Pedro Galdi, disse que a empresa e o setor devem conviver com maior pressão de custos, principalmente em grãos, o que deve ser compensado por uma expectativa de aumento de preços no curto e médio prazo.

A BRF afirmou ontem que pretende investir cerca de R$ 55 bilhões nos próximos dez anos, o que inclui aportes em novos mercados como de refeições prontas, pets e suínos, além de aquisições. O plano se dará em três fases com a divisão prevista dos investimentos de R$ 18 bilhões de 2021 a 2023, mais R$ 18 bilhões de 2024 a 2026 e de R$ 19 bilhões de 2027 a 2030.

Entre 2021 e 2023, a empresa também projeta uma receita líquida de R$ 65 bilhões, com crescimento do ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em duas vezes em relação ao patamar atual, considerando os últimos 12 meses, terminados em 30 de setembro de 2020. Já para os anos de 2024 a 2026, a BRF prevê um crescimento da receita líquida e do ebitda em 2,5 vezes em relação aos níveis atuais. De 2027 a 2030, a estimativa é de ter a receita líquida em mais de R$ 100 bilhões e de crescimento do ebitda em mais de 3,5 vezes em relação ao patamar atual.

Edição: Danielle Fonseca.