Bolsonaro importa mais que Congresso para definir reformas, diz especialista

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Presidente Jair Bolsonaro durante encontro com lideranças empresariais e cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Industrial São Paulo. (Foto: Alan Santos/PR)

São Paulo – O avanço das reformas econômicas no Brasil este ano dependerá mais da cooperação do presidente Jair Bolsonaro do que do Congresso, afirmou o cientista político e diretor da consultoria Dominium, Leandro Gabiati, em entrevista à Agência CMA. A íntegra da conversa pode ser assistida no final desta matéria.

“Sabemos que qualquer ministro da Fazenda em qualquer país sempre é importante, mas o que a gente tem aqui é principalmente, como variável independente, o que define a situação, é o que o presidente Bolsonaro quer, o que Bolsonaro vai resolver em relação à economia em 2021”, disse Gabiati. “Ele vai dar uma carta branca? Vai apoiar as medidas que Paulo Guedes quer levar adiante ou não vai?

Ele avalia que hoje o presidente está ponderando o impacto que as reformas econômicas terão sobre suas chances de reeleição, e que existe a possibilidade de, como em anos anteriores, Bolsonaro vetar projetos do Ministério da Economia que considera impopulares.

Isso ocorreu, por exemplo, com o imposto sobre transações que era gestado na Receita Federal e com o programa Renda Brasil, que substituiria o Bolsa Família, mas eliminaria outros programas do governo, como o abono salarial.

“O presidente Bolsonaro é sempre dúbio, propositalmente, é uma estratégia de governo. Ele não se posiciona claramente. Às vezes diz uma coisa e logo depois se contradiz. Às vezes apoia o ministro Guedes, às vezes chega e desautoriza de uma forma até constrangedora”, disse Gabiati.

Ele considera que nenhum dos candidatos com mais chances de vencer as eleições para a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado ofereceria grande resistência às reformas econômicas. “Se ele de fato tiver a missão e a convicção de que é necessário encarar as reformas, o Congresso vai ser um parceiro”, ainda que impondo condições, disse o cientista político.