Bolsa fecha em alta após presidente da Petrobras e commodities

São Paulo – A Bolsa fechou em alta de 0,26%, aos 113.583,01 pontos, com os investidores reagindo positivamente à declaração do presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, reiterando que não haverá mudanças na política de preços dos combustíveis da companhia. O mercado temia interferência do governo. Hoje o presidente Jair Bolsonaro fez comentários sobre os preços dos combustíveis.

Mais cedo, a Bolsa chegou a cair mais de 0,80% e atingir a faixa dos 112 mil pontos quando a Petrobras convocou uma coletiva para explicar a política de preços. E na primeira metade do pregão, o Ibovespa apresentou muita volatilidade entre perdas e ganhos.

Luiz Henrique Wickert, analista sênior da plataforma sim;paul, comentou que o estresse na Bolsa foi provocado pelo anúncio da Petrobras de convocar uma coletiva de imprensa para falar sobre os preços dos combustíveis. “Como o Bolsonaro falou pela manhã que a intenção do governo era baixar o preço do combustível na ponta, e agora a estatal faz essa convoca uma coletiva, o receio do mercado é a interferência do governo na política de preços”.

Para Leonardo de Santana, analista da Top Gain, “o dia é alta das commodities e acaba impulsionando o Ibovespa, com destaque para as ações da Vale”.

O analista da Top Gain comentou que o cenário interno é mais tranquilo e “hoje o reflexo na Bolsa é mais por conta do ambiente externo, mas estamos sempre de olho nos precatórios, reformas”. Santana afirmou que as falas do Bolsonaro sobre o preço da gasolina e dólar serem uma “realidade não impactou no Ibovespa”.

José Costa Gonçalves, analista da Codepe Corretora, acredita que os comentários do ministro Paulo Guedes sobre a privatização do Banco do Brasil e Petrobras impactam pouco o mercado. “Ele está reforçando a meta traçada desde o início do mandato de Bolsonaro. Daqui a 10 anos são pelo menos mais dois governos, primeiro lugar deve-se privatizar o Banco do Brasil”.

O analista da Codepe Corretora disse que o mercado aguarda “a cópia da Ted [Transferência eletrônica disponível] confirmando o pagamento dos juros pela Evergrande”.

O mercado financeiro ficou com as atenções voltadas à crise da Evergrande, segunda maior incorporadora chinesa, que deveria ter honrado com seus compromissos na quinta-feira (23), mas não efetuou o pagamento dos juros sobre os títulos. Os investidores também mantiveram cautela em relação a uma possível crise energética mundial. Na China, o problema com a energia é devido ao choque de oferta de carvão e gás natural.

O dólar comercial fechou em R$ 5,3790, com alta de 0,65%. A moeda norte-americana foi fortalecida por declarações de integrantes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) dizendo que o tapering (remoção de estímulos) se aproxima e pelas incertezas políticas e fiscais domésticas que continuam no radar.

Para o analista da Top Gain, Leonardo Santana, “mesmo depois de dois swaps o dólar continua positivo”. Ele classifica o movimento do Banco Central como “insuficiente”, algo pontual, além de projetar um câmbio pressionado até o final do ano.

Santana acredita que quando o tapering de fato começar, o dólar “ficará ainda mais caro”. Para ele, a grande expectativa do mercado é com a divulgação do payroll (folha de pagamento), no próximo dia 1: “É um bom termômetro para a recuperação da economia dos Estados Unidos”, pontua o analista.

“Mais do que o cenário externo, porém, os problemas continuam sendo domésticos, com os precatórios, bolsa família e a gestão populista do populista de Bolsonaro. O câmbio não vai diminuir enquanto continuar assim, contextualiza Santana.

Segundo o economista-chefe do Banco Alfa, Luís Otávio Leal, “os leilões estão ajudando o real, mas é um movimento com impactos no curtíssimo prazo. O mercado vai ficar de olho caso o BC acelere o ritmo dos leilões, mas a princípio eles são neutros”.

Na visão de Leal, o mercado está esperando os próximos passados, “em compasso de espera para a divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e dos números nos Estados Unidos”.

De acordo com boletim da Ajax Capital, “o mercado já aguardava essa intervenção cambial, em linha com o realizado ano passado, mas a antecipação mostra preocupação do Banco Central com o câmbio”.

O Banco Central (BC) irá ofertar, nestes leilões, US$ 700 milhões, com vencimentos em junho e setembro do próximo ano. A instituição possui estoque, para estes leilões, que gira em torno dos US$ 15 bilhões. Atualmente, o estoque de swap cambial está em torno de US$ 77 bilhões.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam em alta, à espera de mais clareza a respeito do cenário fiscal dos Estados Unidos e após um dos membros do banco central do país reforçar que a remoção dos estímulos ao crescimento começará em breve. O aumento nos preços de commodities como o petróleo também ajudaram os DIs a subirem, ao aumentar as apostas de pressão inflacionária no futuro.

Ao final da sessão regular, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,155%, de 7,130% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 9,040%, de 8,960%; o DI para janeiro de 2025 estava em 10,160%, de 10,050% antes; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,560%, de 10,450%, na mesma comparação. No mercado de câmbio, o contrato do dólar com vencimento em outubro operava em alta 0,57%, a R$ 5.375,00.

Os principais índices do mercado de ações dos Estados Unidos fecharam o pregão em campo misto em meio a instabilidades políticas e valorização dos títulos de Tesouro norte-americanos.

Confira abaixo a variação e a pontuação dos principais índices de ações dos Estados Unidos por volta de 17h40 (de Brasília):

Dow Jones: +0,21%, 34.869,37 pontos

Nasdaq Composto: -0,52%, 14.970,0 pontos

S&P 500: -0,27%, 4.443,11 pontos