BCE eleva compra de emergência em 500 bilhões de euros, para 1,850 trilhões

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Eurotower, sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt / Foto: BCE

São Paulo – O Banco Central Europeu (BCE) ampliou o programa de compra de emergência pandêmica (PEPP, na sigla em inglês) em 500 bilhões de euros, para US$ 1,850 trilhão de euros, e ampliou seu prazo até ao menos o final de março de 2022, ao mesmo tempo em que estendeu as operações direcionadas de refinanciamento de longo prazo (TLTROs, na sigla em inglês).

O BCE manteve a taxa básica de juros em zero, a taxa de depósitos em -0,5% ao ano e a taxa da linha mantida com bancos comerciais para concessão de Liquidez de curto prazo em 0,25% ao ano.

O Conselho do BCE também decidiu estender o reinvestimento dos pagamentos do principal de títulos com vencimento adquiridos ao abrigo do PEPP até, pelo menos, o final de 2023. “O Conselho do BCE conduzirá compras líquidas até julgar que a fase de crise do novo coronavírus acabou”.

O BCE decidiu ainda recalibrar as condições da terceira série de TLTROs, prorrogando em doze meses o período de duração, até junho de 2022. Três operações adicionais também serão realizadas entre junho e dezembro de 2021. O BCE elevou o montante total que as contrapartes terão o direito de contrair empréstimos nas operações TLTRO de 50% a 55% de seu estoque de empréstimos elegíveis.

“A fim de fornecer um incentivo aos bancos para manterem o nível atual de empréstimos bancários, as condições de empréstimo recalibradas da TLTRO III serão disponibilizadas apenas aos bancos que atingirem um novo objetivo de desempenho de crédito”, diz o comunicado.

As medidas de flexibilização das garantias foram prorrogadas até junho de 2022, e isso será reavaliado até lá, para garantir que a participação das contrapartes do Eurosistema em operações da terceira série TLTRO não seja adversamente afetada.

O Conselho do BCE também decidiu oferecer quatro operações adicionais de refinanciamento de emergência pandêmica de longo prazo (PELTRO) em 2021. Já o
mecanismo de recompra do Eurosistema para bancos centrais e todas as linhas temporárias de swap e repo com bancos centrais não pertencentes à zona do euro serão estendidas até março de 2022.

As compras de ativos mensais de 20 bilhões de euros vão continuar, e o Conselho espera que durem “o tempo necessário para reforçar o impacto acomodativo de suas taxas de política e terminem logo antes de começar a aumentar as principais taxas de juros”.

O BCE disse ainda que continuará reinvestindo o valor principal dos títulos que atingirem o vencimento por um longo período após a primeira alta nos juros, e “enquanto for necessário para manter condições favoráveis de liquidez e um amplo grau de acomodação monetária”.

Com relação às taxas de juros, o BCE repetiu que elas devem permanecer “em seus níveis atuais ou mais baixos até que as perspectivas da inflação convirjam de forma robusta para um nível suficientemente próximo, mas abaixo de 2%” dentro de seu horizonte de projeção.

Por último, BCE continuará a conduzir as operações de empréstimo regulares sob a forma de procedimentos de leilão de taxa fixa com colocação total nas condições prevalecentes durante o tempo que for necessário.

“As medidas de política monetária hoje tomadas contribuirão para preservar as condições de financiamento favoráveis durante o período de pandemia, apoiando assim o fluxo de crédito a todos os setores da economia, sustentando a atividade económica e salvaguardando a estabilidade de preços no médio prazo”, diz o BCE.

Segundo o banco, a incerteza permanece alta, inclusive no que diz respeito à dinâmica da pandemia e ao momento do lançamento das vacinas. “Também continuaremos a monitorar a evolução da taxa de câmbio no que diz respeito às suas possíveis implicações para as perspectivas de inflação no médio prazo”.

Desta forma, “o Conselho do BCE continua pronto a ajustar todos os seus instrumentos, conforme adequado, para garantir que a inflação se move em direção à sua meta de forma sustentada, em linha com o seu compromisso com a simetria”.