BB vê melhora de margem e desconto excessivo em ação

São Paulo – O Banco do Brasil acredita que a sua ação está excessivamente descontada em relação às ações de seus pares, o que não reflete a realidade do banco, em avaliação dada durante o seu dia deinvestidores, o BB Day, no qual ainda revelou qual serão os focos da sua estratégia nos próximos anos. A companhia também disse esperar uma melhora da sua margem financeira, que deve se beneficiar da alta da taxa Selic e da expectativa da mudança do mix da carteira de crédito.

“Na nossa visão, o preço atual da ação não reflete a capacidade de entrega do BB. Atualmente, o múltiplo de preço sobre o lucro mostra um desconto de 50% em relação aos pares, enquanto a média histórica é de 25%. O yield dos nosso dividendos é superior ao dos nossos pares e estamos trabalhando na entrega de forma sustentável”, disse o diretor financeiro do Banco do Brasil, Ricardo Forni, durante o evento, ao ser questionado sobre a possibilidade de redução desse desconto.

Ainda sobre dividendos, o diretor disse que para este ano ficou definido que
o banco distribuirá 40% do seu resultado em dividendos, já que para o ano que
vem ainda será definido e levado em conta fatores como a possível aprovação
da reforma tributária.

Sobre as margens, Forni disse que a tendência é positiva para a margem financeira, uma vez que pretendem melhorar o mix de crédito, com linhas de maior risco, e que ela se beneficia da elevação da taxa de juros. Durante a pandemia, a carteira de crédito estava mais focada em setores considerados mais seguros e no qual o Banco do Brasil considera que é mais forte, como no crédito consignado e agronegócio, porém, agora, já avalia que é possível avançar em linhas que possuem maior risco, mas maior taxa de retorno.

“A Selic deve estacionar no fim de 2021, mas essa mudança de patamar e mudança de mix beneficiará a margem. Também estamos em processo de estabilização de nível provisionamento e limpando balanço depois da pandemia”, disse o executivo.

Forni ainda disse que o aumento do uso do PIX por clientes, por exemplo, impactou receitas que vinham com transferência por TED, o que também pode ser compensado pelo melhor mix da carteira.

Já sobre a inflação, a previsão é que ela impacto principalmente as receitas administrativas em 2022, porém, o banco espera compensar o impacto com
medidas de eficiência e continuidade de um maior controle de gastos.

O diretor ainda afirma que o banco está buscando outras fontes de receitas,
que podem vir da personalização de atendimento e da assessoria de investimentos, assim da expansão de benefícios como cashback, programa de pontos e iniciativas como gift cards, criada recentemente e que gera engajamento
digital.

ESG

O Banco do Brasil ainda buscou destacar sua atuação no aspecto ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa em inglês), afirmando que possui 10 metas de sustentabilidade, como a previsão de R$ 30 bilhões em emissões certificadas sustentáveis, e que está investindo no desenvolvimento de outras iniciativas sustentáveis.
“Os bancos também podem ajudar seus clientes a fazer essa transição ESG”, disse o presidente o banco, Fausto Ribeiro.

DIGITALIZAÇÃO

Outro foco do banco público no BB Day foi a preocupação com o aumento da digitalização, acelerando a transição digital e integração de canais físicos e digitais, além de investir no treinamento de funcionários para que priorizem iniciativas na área.

“O BB será mais leve na sua estrutura e buscando integração de agências físicas com o digital, o do call center físico com o call center digital. O banco também vai investir mais em colaboradores, transformando-os em
agentes financeiros”, disse o diretor Marcelo Cavalcante .

O banco aposta também em fintech, incluindo agrotechs e outros tipos de startups.

MERCADO DE CAPITAIS

Durante a apresentação para investidores, ainda foi citado que a originação de negócios no mercado de capitais também tem sido uma alavanca para o Banco do Brasil, sendo que a parceria com UBS já trouxe resultados bastante positivos.

Segundo o banco, a parceria já fez R$ 93 bilhões em 116 operações só no
primeiro semestre deste ano e tem outras 130 operações no pipeline.

SEGURANÇA CIBERNÉTICA

Por fim, a instituição disse que está investindo mais em segurança cibernética, sendo que criou este ano uma unidade focada no tema, triplicou a sua capacidade operacional e está apostando no seu “security center”, para identificar problemas e eventuais ataques.

O banco ainda afirma priorizar investimentos na sua equipe especializada, com um time chamado de “hackers éticos”, que constantemente testam os sistemas.