Analistas apontam perspectiva negativa para BRF após balanço do 1T21

São Paulo – Após divulgação de resultados do primeiro trimestre, as ações da BRF estão entre as maiores quedas do Ibovespa, com analistas sinalizando perspectivas negativas para a companhia devido a forte pressão do ambiente macroeconômico sobre a operação da companhia. Às 12h37 (horário de Brasília), as ações BRFS3 caíam 2,80%, a R$ 20,46.

O BTG Pactual disse que o resultado trimestral da companhia teve boa qualidade, considerando o cenário de ciclo atual, mas sinaliza para uma piora de margens ao longo dos próximos trimestres. O ebtida veio abaixo das estimativas da casa, que sinalizou que, embora da expansão das vendas e preços e da geração de caixa positiva, a sinalização de piora do ambiente macro pela empresa indica uma possível pressão sobre a capacidade de manter os reajustes e, consequentemente, sobre as margens. No internacional, a queda da margem ebitda, principalmente puxada por Ásia e exportações diretas.

“A execução no trimestre foi consistente, mas acreditamos que a pressão de custos, normalização da demanda no Brasil e o aumento de pressões competitivas devem continuar pressionando margens pela frente. Vemos espaço para revisão para baixo do ebitda do consenso (R$ 5,3 bilhões), o que coloca em risco o plano de crescimento. Vamos revisar nossos números em breve”, disseram os analistas do BTG, em relatório, reiterando a recomendação neutra para os papéis.

A Guide Investimentos apontou um impacto negativo nos resultados da BRF e destacou que a companhia tem enfrentado desde o início do ano uma forte pressão, assim como todo o setor, por conta da alta dos preços do milho e soja, grãos básicos para a produção das rações dos animais. Além disso, a maior parte das vendas da BRF ocorreu no Brasil, onde a empresa enfrenta um aumento nos custos com ração, o que comprimiu as margens brutas no último trimestre, o que pressiona sua margem ebitda.

“Embora a BRF tenha sido capaz de reverter seu prejuízo reportado um ano antes, a sua performance ficou muito aquém da média do setor, principalmente por conta da forte alta no preço de milho e soja, além de ter aumentado a sua alavancagem”, disse Luis Sales, em relatório.