MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

Por Eduardo Puccioni, Flavya Pereira e Olívia Bulla

São Paulo – O Ibovespa opera em queda na sessão de hoje se descolando dos mercados norte-americanos, com o cenário político pesando contrariamente e trazendo muita aversão ao risco aos investidores. O mercado questiona ainda se o governo de Jair Bolsonaro tem capacidade para articular a reforma da Previdência. Pesa também os protestos de ontem contra os cortes no orçamento da educação.

“Os sinais positivos das bolsas europeias e índices futuros de NY nesta manhã podem amenizar os ajustes dos ativos locais. Porém, a cautela política pode persistir após os protestos ontem em todo o País contra os cortes de 30% no orçamento da educação terem aumentado a sensação de piora do capital político do presidente Jair Bolsonaro”, explicam, em relatório, os analistas Régis Chincila e Maurício Bataglia.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 0,60% aos 91.073,39 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 4,5 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em junho de 2019 apresentava recuo de 0,16% aos 91.370 pontos. “A audiência com o ministro da Educação, Abraham Weintraub, para explicar o bloqueio de verbas de universidades na Câmara, expôs o desgaste na relação do governo com o Congresso”, destacaram os analistas.

Por fim, os especialistas lembram que ontem o Ministério Público do Rio identificou no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, hoje senador pelo PSL-RJ, na Assembleia Legislativa fluminense o que considerou serem indícios de uma “organização criminosa com alto grau de permanência e estabilidade”, voltada para cometer crimes de peculato (desvio de dinheiro público).  

A escalada do dólar no mercado doméstico segue firme com a moeda buscando o nível de R$ 4,03 em meio às incertezas provocadas pela política local com notícias sobre o clã Bolsonaro e a pressão sobre o governo vinda das manifestações ontem contra o corte de verbas para a educação pública que mobilizou profissionais do setor e estudantes em quase 200 cidades do país.

“O mercado está precificando em cima de uma decepção com a falta de postura e de articulação política do [presidente Jair] Bolsonaro. Ele é despreparado para o cargo e não está conseguindo sair do tom de campanha e governar para todos”, comenta o gestor de investimentos, Paulo Petrassi.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,37% sendo negociado a R$ 4,0130 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em junho de 2019 apresentava avanço de 0,18% cotado a R$ 4,016

Petrassi acrescenta que as notícias envolvendo o filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), somam a um ambiente de incertezas com dados de atividade reiterando a leitura de crescimento econômico fraco. “Os filhos dele [Jair Bolsonaro] puxam o governo para baixo e alimentam o ambiente de incertezas. O mercado está ancorado no Paulo Guedes

[ministro da Economia]

, o que também não é bom”, diz.

Flávio está envolvido em investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) que apontam indícios de lavagem de dinheiro em transações imobiliárias feitas entre 2010 e 2017, quando era deputado estadual.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem em alta, em meio à postura defensiva dos investidores com a cena política local. Os protestos pelo país ontem contra cortes na educação levantam dúvidas quanto ao apoio do Congresso à reforma da Previdência, que parece ter saído do foco.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,400%, de 6,395% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 estava em 6,86%, de 6,84%; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 8,04%, de 8,00% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 8,64%, de 8,61%, na mesma comparação.