Vibra Energia vai buscar melhores margens e expansão mais criteriosa da rede de postos

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O novo CEO da Vibra Energia, Ernesto Pousada, na sede da empresa, no Centro do Rio de Janeiro, em 1/2/2023. Crédito: Alexandre Brum.

São Paulo – A Vibra Energia (ex-BR Distribuidora) disse que vai perseguir melhorias de margem na expansão de sua rede de postos de combustíveis rumo à liderança em 2023. A companhia também buscará avançar na comercialização de energia e consolidação do seu portfólio em energias renováveis, buscando sinergias entre as operações adquiridas – as controladas Comerc (comercializadora de energia), Zeg Biogás (usinas de energia a biogás) e ezvolt (eletropostos para veículos elétricos) e Evolua (etanol). As informações foram apresentadas pelo novo presidente da Vibra, Ernesto Pousada, na apresentação pública de resultados para investidores e analistas realizada na manhã desta quarta-feira.

“O nosso core business é muito relevante, a diretoria anterior fez um ótimo trabalho, mas vamos buscar liderar o mercado e alcançar um outro patamar de margem, com produtos de maior valor agregado”, disse o CEO da Vibra.

Em relação ao tamanho da rede de postos e desempenho após as mudanças implementadas, a companhia disse que tem obtido boas respostas e que está analisando regiões que podem gerar mais valor para novos embandeiramentos.

“A alocação de capital será analisada com cuidado para gerar resultado positivo para a companhia”, complementou o CEO da Vibra. “Vamos buscar uma ampliação de market share, mas buscando melhorar nossas margens ao avaliar essa expansão do embandeiramento.” No final de 2022, a Vibra informou que seu market share médio em distribuição de combustíveis era de 28,2%.

A Comerc encerrou 2022 com 39 usinas em operação e mais 64 usinas com implantação prevista para este ano. Além disso, a companhia tem mais 130 MWp em implementação/desenvolvimento previstos para 2024, chegando a um total de 450 MWp no final do ano que vem.

“A Comerc está evoluindo na entrega de plantas de geração de energia eólica e solar, que têm contratos de longo prazo e serão entregues dentro do prazo e custo esperado. À medida que as plantas entrarem em operação, vamos acompanhar a contribuição delas para o resultado”, comentou o executivo.

Na Evolua, a Vibra totaliza 1,2 milhões de metros cúbicos em volume transacionado de julho de 2022 a janeiro deste ano e comercialização para 50 distribuidoras no mesmo período. “A empresa tem potencial enorme de captação de sinergias e estamos bem confiantes de que ela traga bons resultados.”

A Zeg Biogás tem duas novas plantas, uma em fase de comissionamento em Jambeiro, e outra em terraplanagem em Aroeira. E a ezvolt tem 530 eletropostos contratados em 13 estados brasileiros, que realizam mais de 11 mil recargas mensais de baterias automotivas.

A companhia espera reduzir sua alavancagem à medida que conseguir aumentar a geração de caixa. A Vibra encerrou 2022 com alavancagem de 2,6 vezes, 29,5% maior que um ano antes, e dívida líquida de R$ 13,7 bilhões (+35,8%).

Entre as iniciativas mencionadas para reduzir a volatilidade nos seus resultados, a diretoria da empresa disse que vai procurar normalizar as importações para buscar equilíbrio maior. Segundo o CEO, a importação trouxe um impacto nos últimos resultados. O efeito de subida dos impostos na gasolina e diesel começou a ser sentido somente no 1T23.

Em seu balanço divulgado na noite de ontem, a companhia disse que o 4T22 apresentou um contexto de alta volatilidade dos preços das commodities comercializadas, com os preços de diesel ao longo de outubro experimentando novos aumentos de crack spreads e levando a um novo descolamento dos preços domésticos em relação aos internacionais. “Este contexto somou-se a um excesso temporário de produtos no mercado, com os players tendo se preparado para o pico sazonal de demanda de diesel em outubro, mas com uma demanda que se mostrou aquém da esperada naquele mês. Essa combinação pressionou margens no setor no início do trimestre, movimento que revertemos ao final do ano.”

O presidente da Vibra também disse que a companhia avalia com cuidado a volatilidade na alocação em hedge e que pode alterar a sua estratégia a fim de ter menores impactos com relação à esse cenário. Em 2022, os efeitos de hedge e estoque totalizaram resultados negativos de -R$ 1,6 bilhão, sendo -R$ 864 milhões em Hedge e -R$ 810 milhões de efeito estoque, ante saldo positivo de R$ 268 milhões (R$ -430 milhões e R$ 698 milhões, respectivamente) em 2021.

A companhia disse que o uso de risco sacado não é a principal opção de crédito de sua estratégia. “A nossa estratégia de risco sacado é rolar o risco sacado para, em momentos de crédito mais difícil, usar esse recurso, ou seja ter uma opcionalidade em momentos específicos”, explicou o presidente da Vibra.

A companhia também vai manter sua política de distribuição de dividendos em 40% dos lucros em 2023.

“O nosso negócio tem bastante volatilidade, mas vamos buscar ter menos volatilidade possível e buscar melhores margens, com preços de maior valor agregado, além de buscar mais sinergias entre as nossas operações e incrementar nosso portfólio em gás para avançar nas demandas ESG”, finalizou o CEO da Vibra.

André Corrêa Natal deixa o cargo de vice-presidente executivo de finanças em 31 de março

A Vibra Energia informou que o atual diretor de finanças, Rodrigo Guimarães Galvão, irá atuar interinamente, exercendo as funções de vice-presidente executivo de finanças, compras e relações com investidores da companhia, após a saída de André Corrêa Natal do cargo, em 31 de março, até a conclusão do processo sucessório.

O presidente da companhia, Ernesto Peres Pousada Junior, exercerá a função de diretor vice-presidente executivo de relação com Investidores após 31 de março até a conclusão do processo sucessório, sem prejuízo das suas funções atuais de presidente. A decisão foi aprovada pelo conselho de administração em reunião realizada ontem (21/3).