Veja um sumário do comportamento dos negócios até o momento

São Paulo – O mercado de ações brasileiro opera em campo positivo no início da tarde, ignorando a queda nos principais índices do exterior – motivada por um aprofundamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China – e reagindo a sinais de que, mesmo em meio à tensão entre o Planalto e o Congresso, a reforma da Previdência tem força suficiente para continuar avançando na Câmara dos Deputados.

Por volta das 13h30 (de Brasília), o Ibovespa subia 1,80%, para 91.616 pontos, enquanto o S&P 500, um dos principais índices acionários dos Estados Unidos, recuava 0,28%, aos 2.851,36 pontos.

As bolsas norte-americanas caem em meio a notícias de que o Google limitou o acesso da Huawei a seus serviços – um desdobramento da tensão comercial entre os Estados Unidos e a China que ocorre após Washington colocar a companhia chinesa numa lista de empresas com as quais é necessário autorização do governo para negociar.

O índice Nasdaq Composto, em que as empresas de tecnologia dos Estados Unidos têm grande peso, caía 0,92%, aos 7.744,22 pontos.

No Brasil, o mercado opera descolado do exterior. Na semana passada, o Ibovespa caiu ao menor nível desde o início de 2019, pressionado pela falta de diálogo cada vez mais aparente entre o Poder Executivo e a Câmara dos Deputados.

Um dos sinais de distanciamento entre o presidente Jair Bolsonaro e os deputados foram manifestações de pessoas próximas ao governo – e em particular do filho do presidente, Carlos – de que há um plano em andamento para desestabilizar o governo e retirá-lo do cargo.

Além disso, na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro divulgou um texto que afirma que o Brasil é ingovernável sem acordos com os tradicionais detentores do poder – entre eles políticos. O porta-voz da Presidência, Rêgo Barros, disse que Bolsonaro retransmitiu o texto porque concorda com esta avaliação.

Hoje, porém, o quadro é de relativo otimismo. Para o gerente da mesa de operações da H.Commcor, Ari Santos, “existem preços interessantes” na Bolsa e isso pode estar atraindo compra depois da forte queda da semana passada, de 4,5%. Santos também acredita que é difícil saber qual será o comportamento do investidor diante do ambiente político de incerteza.

“As coisas estão estranhas, o Congresso e o governo ainda estão batendo cabeça, mas há expectativa de que Maia [Rodrigo, presidente da Câmara] possa intervir para a reforma da Previdência andar”, afirmou.

No mercado de câmbio, o dólar opera perto da estabilidade. A moeda norte-americana chegou a subir com mais intensidade pela manhã, mas devolveu quase todo o avanço após o Banco Central promover leilões de venda de dólar conjugados com recompra – os chamados leilões de linha.

O dólar comercial negociado no mercado à vista caía 0,34%, aos R$ 4,0880 para a venda, enquanto o contrato da moeda com vencimento em junho recuava 0,36%, a R$ 4.091,50.

Entre os juros, as taxas dos contratos futuros seguem com oscilações estreitas, mas tentam engatar um ligeiro viés negativo. A revisão para baixo nas estimativas para o crescimento econômico (PIB) neste ano e para a taxa básica de juros (Selic) em 2020 e 2022, trazidas na Pesquisa Focus do Banco Central, contribui para a devolução de parte dos prêmios embutidos recentemente na curva a termo.

O DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,435%, de 6,465% após ajuste de sexta-feira; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 6,97%, de 7,05% no ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 estava em 8,20%, de 8,30%.

Gustavo Nicoletta

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