Vacina de AstraZeneca contra covid-19 é 79% eficaz, mostram testes nos EUA

Foto: AstraZeneca

São Paulo – A vacina desenvolvida pela AstraZeneca contra covid-19 é 79% eficaz na prevenção da doença sintomática, segundo testes realizados nos Estados Unidos, e a empresa se prepara para solicitar autorização de uso no país nas próximas semanas.

Segundo a AstraZeneca, em comunicado, a vacina tem 100% de eficácia na prevenção de doenças graves e hospitalização. Em participantes com 65 anos ou mais, a eficácia da vacina foi de 80%.

O estudo, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, foi realizado com 32.449 participantes acima de 18 anos, em 88 centros de testes nos Estados Unidos, Peru e Chile, acumulando 141 casos sintomáticos. O estudo de fase III incluiu duas doses administradas em um intervalo de quatro semanas.

“A AstraZeneca continuará a analisar os dados e a se preparar para a análise primária a ser enviada à Food and Drug Administration (FDA, equivalente a Anvisa no Brasil) para Autorização de Uso de Emergência dos Estados Unidos nas próximas semanas”, diz a nota.

Segundo a empresa, a vacina foi bem tolerada e o conselho independente de monitoramento de segurança de dados conduziu uma revisão específica dos eventos trombóticos, bem como da trombose do seio venoso cerebral (CVST), e não identificou preocupações de segurança relacionadas à vacina.

O conselho “não encontrou risco aumentado de trombose ou eventos caracterizados por trombose entre os 21.583 participantes que receberam pelo menos uma dose da vacina. A pesquisa específica para CVST não encontrou eventos neste ensaio”.

Na semana passada, mais de dez países europeus, como Alemanha, Itália e França suspenderam o uso da vacina, desenvolvida em parecia com a Universidade de Oxford, em meio a preocupações com a formação de coágulos sanguíneos em pessoas imunizadas. Cerca de 30 casos foram reportados, e a vacina já foi aplicada em 17 milhões de pessoas na Europa.

A maioria dos países, porém, retomou o uso das doses após os reguladores de saúde europeu e britânico realizarem uma revisão científica e concluírem que a vacina é segura e eficaz, e que seus benefícios superam os riscos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também não confirmou a relação entre a vacinação e a formação de coágulos sanguíneos.

Os resultados de testes da vacina no Reino Unido e no Brasil, divulgados em novembro do ano passado, mostraram eficácia média de 70%. Um regime de dosagem mostrou eficácia de 90% com meia dose da vacina, seguido por uma dose completa com ao menos um mês de intervalo. O outro regime de dosagem mostrou eficácia de 62% com duas doses completas com pelo menos um mês de intervalo.