Taxa de desocupação cai a 14,1% até junho, mas mantém recorde

765
Carteira de trabalho. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

São Paulo – A taxa de desocupação da população brasileira foi estimada em 14,1% no trimestre móvel encerrado em junho, abaixo do observado no período imediatamente anterior (14,7%), referente aos meses de janeiro a março de 2021, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou abaixo do esperado, de acordo com a mediana das estimativas coletadas pelo Termômetro CMA, de 14,5%.

Ainda assim, o resultado é o maior para o trimestre na série histórica, iniciada em 2012, e segue recorde. Já na comparação com o mesmo período anterior, referente aos meses de abril a junho de 2020, quando estava em 13,3%, houve alta de 0,8 ponto percentual (pp), segundo o IBGE.

No fim de junho, a população desocupada somava 14,4 milhões de pessoas, mantendo-se perto do recorde para a série histórica e estável em relação ao trimestre imediatamente anterior, mas 12,9% maior (1,7 milhão de pessoas a mais) no confronto com igual trimestre de 2020.

A população ocupada totalizou 87,8 milhões, crescendo 2,5% em relação aos meses de janeiro a março (2,1 milhões de pessoas a mais) e 5,3% (4,4 milhões de pessoas a mais) na comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre abril e junho, o nível de ocupação chegou a 49,6%, altas de 1,2 ponto porcentual em relação ao trimestre imediatamente anterior e de 1,6 pp na comparação com o mesmo trimestre de 2020.

Já a taxa de subutilização da força de trabalho atingiu 28,6%, registrando queda de 1,1 pp em relação aos meses de janeiro a março, mas estável na comparação com igual período de 2020. Segundo o IBGE, a população subutilizada somava 32,2 milhões no fim de junho, o que representa queda de 3,0% ante o trimestre anterior e estabilidade na comparação com o mesmo período de 2020.

Assim, a população fora da força de trabalho alcançou 74,9 milhões de pessoas, o que representa quedas de 2,1% frente ao trimestre anterior e de 3,7% em relação ao mesmo trimestre no ano passado. Já a população desalentada foi a 5,6 milhões de pessoas, uma queda de 6,5% em relação ao período entre janeiro e março, mas estável no confronto anual. Por sua vez, a taxa de informalidade foi de 40,6% da população ocupada (35,6 milhões de pessoas).

Em relação à renda, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores foi estimado em R$ 2.515 entre abril e junho, o que significa quedas de 3,0% em relação ao trimestre anterior e de 6,6% ante igual período de 2020. A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados no trimestre encerrado em maio foi estimada em R$ 215,5 bilhões, estável nas duas bases de comparação.

Já a força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas) foi estimada em 10,2 milhões de pessoas, uma queda de 10,1% (menos 1,1 milhão de pessoas) no trimestre móvel de abril a junho de 2021 ante o trimestre anterior e de 24,5% (menos 3,3 milhões de pessoas) frente ao mesmo trimestre de 2021.

Entre os grupamentos de atividades, o IBGE reforça que houve altas trimestrais em agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+3,8%, ou mais 326 mil pessoas), construção (+5,7%, ou mais 346 mil pessoas), alojamento e alimentação (+9,1%, ou mais 360 mil pessoas) e serviços domésticos (+4,0%, ou mais 197 mil pessoas). Os demais grupamentos permaneceram estáveis.

No confronto anual, houve aumento em seis grupamentos: agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+11,8%, ou mais 945 mil pessoas), construção (+19,6%, ou mais 1,0 milhão de pessoas), comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (+4,6%, ou mais 707 mil pessoas), alojamento e alimentação (+7,7%, ou mais 309 mil pessoas), informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+7,3%, ou mais 733 mil pessoas) e serviços domésticos (+9,0%, ou mais 426 mil pessoas). Os demais grupamentos não tiveram variações estatisticamente significativas, segundo o IBGE.