Powell minimiza reação do mercado à recuperação econômica mais rápida

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central nore-americano), Jerome Powell / Foto: Fed

São Paulo – O salto dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos visto nas últimas semanas foi atribuído pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, à visão do mercado de que a recuperação econômica será mais rápida, em parte, graças ao avanço do processe de vacinação contra a covid-19 no país.

“Os mercados estão reagindo às notícias de recuperação econômica e de vacinação. Essa reação é natural diante desse cenário e ordenada. Se não fosse ordenada, o Fed estaria preocupado”, disse Powell ao Comitê Bancário do Senado.

O processo de vacinação contra a covid-19 nos Estados Unidos junto com o pacote de estímulos de US$ 1,9 trilhão sancionado pelo presidente norte-americano, Joe Biden, alimentam a crença dos investidores de que a econômica irá crescer mais e mais rápido, levando à aceleração da inflação – um gatilho para mudanças na política extremamente frouxa do Fed.

Membros do banco central norte-americano, incluindo o próprio Powell, já descartaram a possibilidade de aperto monetário no momento, reafirmando o compromisso com a acomodação e sinalizando que qualquer aceleração da inflação será temporária e transitória.

“O Fed espera uma aceleração da inflação com a reabertura da economia, mas não vemos essa aceleração como perigosa. O aumento de preços será transitório e temporário, mas caso se sustente, temos as ferramentas para lidar com essa situação”, disse Powell aos senadores, acrescentando “que o Fed leva muito a sério a meta de inflação de 2% ao ano”.

Em agosto do ano passado, o banco central norte-americano anunciou uma nova estratégia para a inflação, permitindo que a taxa fique acima da meta de 2% por algum tempo para compensar períodos em que esteve abaixo desse percentual.

Na semana passada, o Fed divulgou as previsões para inflação dos Estados Unidos medida pelo índice de preços para os gastos pessoais (PCE). Para 2021, a taxa foi revisada de 1,8% para 2,4%. Para 2022, a previsão passou 1,9% para 2,0%, e para 2023 houve alta de 2,0% para 2,1%. No longo prazo, o Fed manteve a previsão inalterada em 2,0%.