Petrobras monitora mercado para avaliar futuras alterações nos preços dos combustíveis

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Foto: Divulgação / Petrobras

São Paulo – O diretor financeiro da Petrobras, Sergio Caetano Leite, disse que a companhia está monitorando o mercado internacional e local para avaliar futuros reajustes nos preços dos combustíveis, como o impacto do diesel russo e custos de frete.

“O custo alternativo do cliente fica deslocado dos preços internacionais. Estamos monitorando o mercado para avaliar futuras alterações de preço”, disse Leite, na teleconferência de resultados da companhia, realizada na manhã desta terça-feira.

O diretor de logística, comercialização e mercados da companhia, Claudio Romeo Schlosser, disse que a companhia vai manter a estratégia de não repassar a volatilidade internacional para o mercado interno. “Queremos ser a melhor alternativa para o cliente. As paradas da Replan e Repar foram exitosas e isso melhora muito a nossa competitividade”, acrescentou.

O diretor financeiro disse que a área de transição energética é a que deixa a companhia mais otimista com o futuro e que parcerias e possíveis aquisições estão sendo analisadas. “Nos próximos meses poderemos dar mais informações sobre investimentos”, disse Leite.

O diretor de transição energética, Mauricio Tolmasquim, disse que a governança da área busca parcerias que “agreguem valor” para a empresa. A Petrobras avalia vários fusões e aquisições (M&As) na área, mas a análise não permite mencionar as empresas e nem os prazos de possível conclusão e fechamento das operações. “A Petrobras precisa ter um critério muito bem estabelecido, criamos padrões para classificar as empresas. A capacidade instalada de eólica e solar no Brasil é de cerca de 30 GW cada fonte, temos a meta de investir 5 GW. Foram feitas várias análises para avaliar os parceiros, que devem ser do porte que a Petrobras exige. Já trouxemos diversas possibilidades para a diretoria, não é possível mencionar quais são as empresas, nem prazos”, explicou Tolmasquim.

Em relação à produção, o diretor Joelson Mendes, considera que a de abril está em linha com o planejamento estratégico. “O guidance de produção que anunciamos para 2024-25 é similar ao de 2023, pela entrada de poços novos e outros aspectos como licenciamentos ambientais. Vamos entregar neste ano uma produção bem em linha com a de 2023”, disse o diretor de E&P da Petrobras.

O diretor de engenharia Carlos Travassos acrescentou que a Petrobras teve desafios em licenciamento ambiental no 1T24, como a greve do Ibama, e que outros aspectos também são considerados na curva de produção, como marcos de construção dos FPSOs, mas que eles não devem impactar o atingimento da meta de produção de 2024.

Mendes disse que a Petrobras prevê impacto de 2% na produção de 2024 caso os problemas gerados pela greve do Ibama persistam.

Em relação ao programa de recompra de ações, o diretor financeiro disse que era um projeto piloto que previa a recompra de 157 milhões de ações PN e que companhia irá propor um novo programa após o seu término. “Esse programa de recompra foi um grande laboratório, sem questionamento dos órgãos reguladores. Esse projeto piloto atingiu 76% do previsto, estamos analisando os resultados. Ele produziu a aproximação dos índices de análise econômico-financeira da Petrobras ao das majors. O programa encerra em agosto e vamos apresentar uma nova proposta de recompra, que deverá passar por todas as etapas de aprovações internas e terá a palavra final do nosso conselho de administração.”

A Petrobras concluiu a diligência na Braskem, que envolveu 200 pessoas, e disse que agora “tem ideia muito clara do que a integração pode oferecer”, mas que a aquisição da companhia não faz parte dos planos de investimento da companhia e só ocorrerá em último caso. “Para a nossa área de downstream, a Braskem é uma plataforma de internacionalização interessante. Não deixaremos o ativo deteroriar, a aquisição será feita por meio de uma estruturação financeira, mas não está no planejamento”, afirmou.

O diretor de processos industriais, William França, disse que a Petrobras teve acesso a informações importantes sobre a situação da Braskem e do evento geológico em Alagoas por meio da diligência e que avalia sinergias em refino e logística com a petroquímica em caso de uma possível integração com a Petrobras.

Leite disse que o fundo Mubdalla propos o retorno da Petrobras à Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia, que está em análise e deve ser concluído até o fim do primeiro semestre deste ano, reiterando informação que já havia sido dada pelo CEO Jean Paul Prates, em fevereiro. “A Rlam é uma refinaria icônica da Petrobras. A Petrobras tem sede no Rio de Janeiro mas a Petrobras é baiana. Voltar ao ativo não é necessariamente voltar ao que já foi. É analisar o ativo, avaliamos qual o ganho que teremos em voltar à refinaria. Há uma questão afetiva, mas temos que usar a racionalidade. Inicialmente, os indicadores são todos positivos, estamos em fase de due dilligence, em que temos análise de modelo. As refinarias da Petrobras são integradas e pertencem 100% à companhia”, explicou o diretor financeiro.

Segundo a diretoria, a Petrobras também analisa a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) na Rlam com o Mubadala.

A Rlam é responsável por cerca de 10% da capacidade de refino de petróleo do Brasil e foi vendida pela Petrobras no governo Jair Bolsonaro, como parte de uma estratégia de desinvestimento da estatal. De propriedade do fundo soberano de Abu Dhabi, o Mubadala pagou US$ 1,65 bilhão na refinaria em 2021.

Reserva para remuneração de capital

Em relação à distribuição de dividendos, Leite disse que a aprovação pode ocorrer em qualquer momento do exercício de 2024 e que a companhia analisará o cenário econômico para balizar essa decisão.

“Não foi estipulada uma data, mas a diretoria entrega outlooks mensais. A deliberação pode ocorrer ainda neste exercício. A Petrobras permanece analisando a situação. Temos um cenário de crise internacional, que não se traduz só em volatilidade do preço do petróleo, tivemos impacto no preço do frete”, comentou.

O diretor financeiro disse que a Petrobras espera que reserva para remuneração de capital continue “funcionando bem” e que até o final de 2024, será feito um acompanhamento pela diretoria e pelo conselho de administração e não há uma data exata para distribuir os dividendos previstos nessa reserva.

“A Petrobras uma reserva para investimentos desde 2018 e a criação da reserva para remuneração de capital era uma demanda da gestão anterior. O nome original era ‘reserva para equalização para pagamento de dividendos’, que a nosso ver, transmitiria a função dela. Mas internamente, optou-se por mudar para ‘reserva para remuneração de capital’. A polêmica relacionada à sua criação nos pegou de surpresa. Ela mostrou que nossa governança está rígida, em pé e funcionando”, comentou.

“Olhando retrospectivamente, ainda bem que houve esse duplo ‘check’, a governança da Petrobras funcionou para a manutenção do interesse do investidor. Até o final de 2024, será feito um acompanhamento pela diretoria e pelo conselho de administração, não há uma data exata para distribuir”, concluiu.

Comentários sobre o resultado do 1T24

As paradas de manutenção das refinarias produziram um impacto relevante na produção da Petrobras do primeiro trimestre, segundo o diretor financeiro. O impacto da desvalorização cambial também impactou o resultado do período, segundo o diretor.

“O resultado do 1T24 foi impactado por importantes decisões estratégicas, como as maiores paradas de manutenção no parque de refino, FUT elevado. Vamos retomar gradativamente a nossa produção, conforme apresentado no nosso planejamento estratégico”, comentou Leite.

O diretor destacou a disciplina financeira da companhia e o retorno financeiro para os acionistas. “A tese de investimento na Petrobras é de médio a longo prazo”, acrescentou.

“As majors cresceram 3,2% no 1T24 em reservas provadas). Se olharmos a Petrobras, ela cresce 33,3% ou 10 vezes acima de seus pares internacionais”, segundo o diretor.