Otimismo segue nos mercados por reabertura das economias

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Foto: Dominik Gwarek / freeimages.com

São Paulo – O aumento da busca por risco frente a reabertura de economias e indicadores melhores do que o esperado pelo mercado, fez o Ibovespa subir 2,14%, aos 93.002,14 pontos, registrando o quarto pregão seguido de valorização e o maior patamar de fechamento desde o dia 6 de março (97.996,77 pontos). O volume total negociado foi de R$ 39,4 bilhões, considerado elevado por analistas.

“Estamos vendo um movimento global de melhora, alguns índices, como o norte-americano Nasdaq, já estão positivos no ano, e o Ibovespa, que tinha ficado um pouco para trás na comparação com outras Bolsas, já está melhor. Há uma série de indicadores mostrando que a recuperação econômica pode ser mais rápida”, disse o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo.

O operador de renda variável da Commcor Corretora, Ari Santos, concorda que havia terreno para o Ibovespa se recuperar depois das fortes quedas em função da pandemia do novo coronavírus e de turbulências políticas, destacando que também houve uma “acalmada” na cena política local nos últimos dias.

“A Bolsa brasileira estava atrasada e barata em dólar, com muitas empresas descontadas, além disso, há liquidez. No setor de bancos, por exemplo, há papéis que ainda estão caindo mais de 30% no ano. Há espaço para subir”, disse.

No exterior, os mercados acionários também engatam mais um dia de alta neste contexto de maior liquidez e sinais de melhora da economia. Entre esses sinais, está o PMI de serviços da China, que subiu a 55,5 pontos em maio. Já o setor privado norte-americano fechou 2,760 milhões de vagas em maio, mas, apesar de negativo, o número foi bem menor que o fechamento de 8,750 milhões de vagas esperado pelo mercado.

Entre as ações, as de bancos seguem recuperando perdas e entre as que mais pesam para a alta do Ibovespa, caso do Bradesco (BBDC4 4,45%) e do Banco do Brasil (BBAS3 5,88%). Já as maiores altas do índice foram do IRB Brasil (IRBR3 24,53%), da Gol (GOLL4 16,41%) e da Cyrela (CYRE3 14,78%), que também registravam fortes quedas no acumulado do ano.

Na contramão, os frigoríficos sentiram a queda mais forte do dólar vista nos últimos dias, o que não é favorável para as empresas, que são exportadoras. Além disso, o presidente e executivos da Pilgrim’s, controlada da JBS, foram indiciados pela Justiça norte-americana por acusação de cartel. Com isso, as ações da companhia (JBSS3 -4,99%) ficaram entre as maiores quedas do Ibovespa, ao lado da Minerva (BEEF3 -3,64%) e da BRF (BRFS3 -2,99%).

Ainda entre as maiores perdas ficaram os papéis da Braskem (BRKM5 -4,86%), que refletiram os resultados financeiros do primeiro trimestre.

Amanhã, investidores devem ficar atentos principalmente aos dados de pedido de seguro-desemprego nos Estados Unidos, além de observarem a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Para analistas, a tendência segue de recuperação, mas lembram que pode ocorrer um exagero caso o Ibovespa suba muito rápido, podendo chamar realizações de lucros.

O dólar comercial fechou em forte queda de 2,45% no mercado à vista, cotado a R$ 5,0850 para venda, no menor valor de encerramento desde 9 de abril – quando ficou em R$ 5,0920 – reagindo ao otimismo que prevaleceu nos mercados de moedas emergentes, além da venda de títulos de dívidas em moeda estrangeira pelo governo federal.

“O apetite por risco dominou e investidores partiram para as compras. O retorno progressivo das economias, injeções de estímulos e a divulgação de indicadores mais animadores deram amparo ao otimismo no exterior”, comenta o analista de câmbio da Correparti, Ricardo Gomes Filho. Ele acrescenta que a primeira captação externa de recursos do governo no ano corroborou para o movimento de queda.

O governo federal emitiu hoje títulos de dívida de cinco e de dez anos no mercado global com a proposta de promover a liquidez da curva de juros soberana em dólar no mercado externo, além de dar referência para a precificação de dívidas corporativas na moeda norte-americana e antecipar o financiamento de vencimentos em moeda estrangeira.

Para a estrategista de câmbio do banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli, essa operação ajudou no forte recuo da moeda, porém, ela vê “essa volta da moeda” um pouco mais exagerada já que investidores têm ignorado o cenário político local, a curva de casos confirmados e óbitos em decorrência da covid-19 no Brasil e, lá fora, as manifestações nos Estados Unidos.

“Eu vejo o recuo desta semana mais exagerado do que a alta que vimos quando a moeda se aproximou dos R$ 6,00 [em 14 de maio, a moeda chegou à máxima histórica intraday de R$ 5,9730] porque tínhamos muitos motivos para aquela esticada no preço. Tanto que a nossa moeda se desvaloriza quase 30% no ano, enquanto as moedas de países emergentes caem ao redor de 7% ante o dólar”, diz a estrategista.

Amanhã, na agenda de indicadores, o destaque é a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE). Sem indicadores de peso, o gestor de investimentos, Paulo Petrassi, aposta em continuidade do movimento positivo da moeda.

“O mercado exibe uma tendência positiva. Se não acontecer nada, não tiver nenhuma notícia ruim, temos um viés positivo e a moeda pode cair abaixo de R$ 5,00, mas a percepção é de foi criado um suporte ao redor deste patamar”, avalia.