MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

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São Paulo – A Bolsa enfrenta mais um dia de pessimismo com os investidores reagindo mal à medida do governo Jair Bolsonaro, em uma ação populista, de elevar o imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para custear o  novo Bolsa Família e  ruídos políticos e fiscais que incomodam o mercado. Atrelado a isso, os investidores ficam preocupados com o cenário internacional relacionado à China e o impacto nas empresas exportadoras de commodities com a queda do minério de ferro.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em queda de 2,13%, aos 111.366,04 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 16,9 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em outubro de 2021 apresentava recuo de 2,39%, aos 111.665 pontos.

A grande maioria das ações do índice apresenta baixa, com destaque para as commodities devido a mais um dia de queda do minério de ferro-4,7% na bolsa de Dailan, na China e de 4,90% no porto chinês de Qingdao. A commodity vem caindo há pelo menos duas semanas. Nem mesmo a boa notícia sobre o pagamento de dividendos pela Vale (VALE3) no próximo dia 30 deste mês, no valor de R$ 40 bilhões, equivalente a R$ 8,10 por ação fez os papéis da mineradora subirem.

Nicolas Merola, analista de investimentos da Inversa Publicações, comentou que os fatores internos e global estão influenciando o mau humor do mercado. “Estamos em uma tempestade complicada. Mais um ruído interno com a questão do IOF leva as pessoas não quererem estar posicionadas em ações locais”.

As grandes companhias exportadoras de commodities, com peso no índice e ditas como ‘queridinhas’ dos investidores, estão sendo impactadas pelo ambiente global em mais um pregão de queda do minério. “Todas essas empresas que estão caindo hoje são muito dependentes do comércio com a China, que vive um processo de desalavancagem e pressiona o mundo”.

O analista de investimentos da Inversa Publicações ressaltou que os investidores “vem desfazendo posições” para passar o fim de semana mais tranquilos”.

Os papéis da Petrobras têm forte recuo e ainda refletem as declarações da véspera do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) sobre a insatisfação com os preços dos combustíveis. As ações da estatal (PETR3 e PETR4) caíam 3,23% e 3,63%, respectivamente. E os bancos perdiam ” pressionados após o governo elevar a alíquota de IOF sobre operações de crédito”, afirma o analista Régis Chinchila da Terra Investimentos.

Para Leonardo Santana, da Top Gain, o mercado está preocupado com a elevação do IOF “se vai ser suficiente para segurar para o aumento do novo Bolsa Família e o populismo de Bolsonaro”.

Os analistas da Sul América Investimentos comentaram, em relatório, que “o dia não deve ser muito favorável para a Bolsa” com a atitude do presidente da República em aumentar a alíquota do IOF para financiar os gastos do novo Bolsa Família em meio a novas pesquisas mostrando piora na popularidade de Bolsonaro. “As razões para a decisão podem estar nos obstáculos para se chegar a uma solução para o pagamento dos precatórios”.

Os analistas da Ajax Capital acreditam em “um dia mais negativo para a Bolsa” com os ativos de risco mais fracos no exterior e atenção em relação ao financiamento do novo Bolsa Família com o aumento do IOF.

O dólar continua em forte alta. Este movimento se deve ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com o principal intuito de viabilizar o Auxílio Brasil, sucessor do Bolsa Família. Esta manobra é vista pelo mercado como populista, focando nas eleições de 2022.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 0,51%, sendo negociado a R$ 5,2930 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em setembro de 2021 apresentava avanço de 0,73%, cotado a R$ 5,304.

Segundo o economista-chefe do Banco Alfa, Luis Otavio Leal, “no mundo perfeito, as soluções seriam outras, mas a situação política e econômica no Brasil é tudo, menos a ideal”. O economista disse que, dentre as opções – como abrir um crédito “gigantesco” -, o aumento no IOF “não é das piores”.

Na visão do economista, existe um “certo exagero” no câmbio: “O mercado está num viés tão ruim que qualquer notícia é negativa”, avalia Leal. O economista, porém, acredita que este aumento foi uma surpresa para o mercado.

“Um pedaço do IOF também será utilizado para cobrir a isenção de PIS e COFINS da importação de milho, que é a base para a ração animal. Isso pode frear o aumento dos preços do complexo de proteínas para estes animais”, pontua Leal.

De acordo com o head de análises da Top Gain, Leonardo Santana, “o câmbio não deve cair muito, ficando na faixa entre R$ 5,24 e R$ 5,29. Hoje é um dia tranquilo no mercado, que deve ter baixa volatilidade”.

Santana acredita que o dólar fica entre duas forças: “o fluxo cambial veio novamente positivo, forçando o câmbio para baixo, enquanto as notícias domésticas puxam o dólar para cima”, explica.

As taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) seguem operando em alta, acompanhando uma cautela no Brasil diante do cenário adverso com algumas crises ao mesmo tempo, entre elas a fiscal, política e hídrica. Os investidores não estão reagindo bom ao aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de crédito.

Por volta das 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 7,06%, de 7,035% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 9,05%, de 8,975%; o DI para janeiro de 2025 ia a 10,23%, de 10,13% antes e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 10,64%, de 10,55%, na mesma comparação.