MERCADO AGORA: Veja um sumário dos negócios até o momento

121

São Paulo – O Ibovespa acelerou um pouco a alta que vem sendo registrada desde o início do pregão em um dia no qual uma recuperação parcial dos preços dos papéis da Petrobras mantém o principal índice da B3 no azul apesar do recuo dos mercados de ações lá fora.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa operava em alta de 1,82%, aos 114.728,23 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 21,8 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em abril de 2021 apresentava avanço de 2,47%, aos 114.915 pontos.

Outro destaque positivo vem do setor financeiro, que ontem, assim como a Petrobras, registrou forte queda e hoje se recupera. Entretanto, “a queda das bolsas americanas, principalmente da Nasdaq, e a alta de dos juros de 10 anos por lá estão segurando a B3”, comentou um operador de renda variável.

Hoje, as ações da Petrobras abriram em forte alta, já que a depreciação de mais de 20% apenas na sessão de ontem proporcionou um novo e atraente ponto de entrada para os ativos da petrolífera. Ainda assim, o avanço é insuficiente para apagar as fortes perdas registradas nos dois pregões anteriores.

Ainda assim, “é uma boa notícia e que reverte em parte as quedas verificadas desde a semana passada”, observou André Perfeito, economista-chefe da Necton Corretora, ao comentar a alta dos ADRs da Petrobras em Nova York. “No entanto, há que se ter cautela durante a semana, afinal o presidente [Jair] Bolsonaro disse que ainda irá fazer mais alterações ao longo dos próximos dias”, adverte ele.

Ontem, o Ibovespa registrou a maior baixa porcentual desde abril do ano passado, arrastado de volta à faixa dos 112 mil pontos em reação ao fato de o presidente Jair Bolsonaro ter indicado o general da reserva Joaquim Silva e Luna para a presidência de Petrobras, em substituição a Roberto Castello Branco.

À parte a possibilidade de uma recuperação pontual hoje, outros riscos locais continuam à espreita. Afinal, a percepção de que medidas consideradas populistas pelos agentes do mercado financeiro e a ingerência de governo em companhias de capital aberto tendem a aumentar à medida que as eleições presidenciais de 2022 se aproximam inibe o apetite por risco.

Além disso, o ritmo lento da vacinação e o desrespeito cotidiano às medidas de isolamento fazem com que o Brasil permaneça como um dos piores focos restantes de avanço alarmante da pandemia pelo mundo, o que deve retardar as perspectivas de recuperação da economia nacional.

Enquanto isso, o senador Márcio Bittar deve apresentar hoje seu parecer sobre a PEC Emergencial. “A apreciação da PEC Emergencial para viabilizar o auxílio é uma ótima notícia, mesmo com as remoções promovidas no final de semana, pois pavimenta o caminho para um futuro incerto, além de conter alterações permanentes da dinâmica de gastos em detrimento de elevações temporárias”, diz Étore Sanches, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Após oscilar sem rumo desde a abertura dos negócios, o dólar comercial ensaia alta frente ao real, renovando máximas a R$ 5,48, com o mercado local ainda cauteloso com a interferência do presidente Jair Bolsonaro na Petrobras e depois de sinalizar que poderá fazer o mesmo em outras estatais, além de monitorar os avanços da PEC Emergencial no Congresso, após promessa de ser votada a partir de quinta-feira. Lá fora, investidores aguardam as falas do presidente do banco central dos Estados Unidos.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,58%, cotado a R$ 5,4220 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em março de 2021 apresentava recuo de 0,84%, cotado a R$ 5,423.

O diretor de uma corretora nacional reforça que o mercado aguarda pelas declarações do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, no senado dos Estados Unidos em meio à recente alta dos juros das treasuries (títulos de dívida do governo norte-americano). O título de 10 anos opera hoje ao redor de 1,36% após encostar em 1,40%, maior nível em 12 meses, o que tem corroborado para a desvalorização das moedas de países emergentes.

“A expectativa é que Powell volte a mostrar tranquilidade com relação ao risco inflacionário no curto prazo, sustentando a intenção do Fed de manter uma postura extremamente acomodatícia por mais um bom tempo”, acrescenta o economista da Guide Investimentos, Victor Beyruti.

Aqui, após a ingerência da Petrobras, o mercado volta-se ao Congresso, já que uma versão preliminar da proposta da PEC Emergencial está circulando pelo Senado em antecipação da possível votação no plenário da Casa na quinta-feira, destaca o economista. Ontem, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, escreveu em tom de promessa em seu perfil no Twitter de que a pauta da PEC, o Orçamento de 2021 e até a reforma administrativa serão votados em março.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem com leves oscilações, com os vértices curtos e intermediários ensaiando baixa, ao passo que os vencimentos mais longos tentam se firmar em alta. Os investidores buscam ajustar os prêmios colocados ontem, mas o mal-estar com a cena política causado pelos sinais de intervencionismo do governo ainda pesam nos negócios locais.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2022 tinha taxa de 3,46%, de 3,53% no ajuste da última sexta-feira; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,21%, de 5,325% após o ajuste ao final da semana passada; o DI para janeiro de 2025 estava em 6,82%, de 6,92%; e o DI para janeiro de 2027 tinha taxa de 7,49%, de 7,57%, na mesma comparação.