Powell reafirma acomodação monetária e vê retomada sólida no segundo semestre

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O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell / Foto: Fed

São Paulo – O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, voltou a garantir que manterá a acomodação monetária até que a economia dos Estados Unidos tenha se recuperado da crise provocada pelo novo coronavírus e a estabilidade de preços e o pleno emprego tenham sido alcançados.

Esse cenário, no entanto, deve levar algum tempo para acontecer, o que significa que a taxa de juros nos Estados Unidos deve seguir próxima a zero e as compras de ativos devem continuar em pelo menos US$ 120 bilhões ao mês, segundo Powell.

“A economia está muito longe de nossas metas de emprego e inflação, e é provável que leve algum tempo para que progressos substanciais sejam alcançados”, disse ele no primeiro dia de depoimentos ao Congresso norte-americano.

Em seu discurso de abertura, Powell classificou a recuperação econômica norte-americana como desigual e longe de ser concluída, com um alto grau de incerteza no caminho a ser percorrido. Ele cita que alguns setores – entre eles os mais expostos à pandemia como lazer e hospitalidade – sofrem mais o impacto a crise. No entanto, ele vislumbra uma melhora nesse cenário no final deste ano.

Ele cita a queda do número de novos casos e hospitalizações por covid-19 nos Estados Unidos nas últimas semanas e o processo de vacinação andamento como fontes de esperança para um retorno às condições mais normais ainda este ano.

“Embora não devamos subestimar os desafios que enfrentamos atualmente, os desenvolvimentos apontam para uma perspectiva melhor para o final deste ano. Em particular, o progresso contínuo nas vacinações deve ajudar a acelerar o retorno às atividades normais. Nesse ínterim, devemos continuar a seguir o conselho de especialistas em saúde para observar medidas de distanciamento social e usar máscaras”, afirmou.

INFLAÇÃO E EMPREGO

Powell afirma que a pandemia deixou suas marcas na inflação e no emprego. No mercado de trabalho, o presidente do Fed reconhece que a taxa de desemprego segue elevada e que levará um tempo para que as condições gerais melhorem.

“A taxa de desemprego permaneceu elevada em 6,3% em janeiro, e a participação no mercado de trabalho está notavelmente abaixo dos níveis pré-pandêmicos. Embora tenha havido muito progresso no mercado de trabalho desde a primavera, milhões de norte-americanos continuam desempregados”, afirmou ele.

Sobre a inflação, Powell defendeu a estratégia anunciada pelo Fed em agosto do ano passado, que permitirá que a taxa fique acima da meta de 2% por algum tempo para compensar períodos em que esteve abaixo desse patamar. Além disso, o banco central norte-americano deixará de ajustar a taxa de juros quando a taxa de desemprego cair, observando também o comportamento dos preços.

“Após grandes quedas na primavera, os preços ao consumidor se recuperaram parcialmente no resto do ano passado. No entanto, para alguns dos setores que foram mais adversamente afetados pela pandemia, os preços permanecem particularmente baixos. No geral, em uma base de 12 meses, a inflação permanece abaixo de nosso objetivo de 2% no longo prazo”, disse ele.

TODAS A FERRAMENTAS

Mais uma vez, Powell afirmou que o Fed está preparado para usar todas as suas ferramentas para apoiar a recuperação da economia e o alcance das metas estabelecidas pelo Congresso.

“Entendemos que nossas ações afetam famílias, empresas e comunidades em todo o país. Tudo o que fazemos está a serviço de nossa missão pública. Estamos empenhados em usar toda a nossa gama de ferramentas para apoiar a economia e ajudar a garantir que a recuperação deste período difícil seja o mais robusta possível”, disse Powell.

Além disso, o chefe do Fed reafirmou que informará antecipadamente e com clareza qualquer mudança em sua política. “Continuaremos a comunicar claramente nossa avaliação do progresso em direção aos nossos objetivos com bastante antecedência em relação a qualquer mudança no ritmo de compras”, afirmou.

Em março, o Fed cortou a taxa de juros para o patamar atual de zero a 0,25% ao ano e retomou as compras de ativos, atualmente em US$ 120 bilhões ao mês, para apoiar a economia durante a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. Além disso, o banco central lançou vários programais emergenciais de crédito para apoiar empresas e famílias.