MERCADO AGORA: Veja um sumário do comportamento dos negócios

São Paulo – O mercado brasileiro segue descolado do exterior, com o Ibovespa subindo e o dólar e os juros caindo, mesmo diante de um ressurgimento das preocupações globais com os efeitos econômicos da guerra comercial depois que os Estados Unidos anunciaram que vão tarifar, além dos produtos da China, os bens importados do México.

No início da tarde, o Ibovespa subia 0,21%, para 97.667 pontos, e o contrato futuro do índice com vencimento em junho avançava 0,07%, aos 97.875 pontos. No mercado de câmbio, o dólar caía 1,35%, aos R$ 3,9270 para a venda no pregão à vista, enquanto o contrato futuro da moeda com vencimento em julho recuava 1,47%, aos R$ 3.934,00.

Para o economista da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, a alta surpreende dada o movimento negativo nas bolsas do exterior e o fato de que o Ibovespa subiu por quatro pregões seguidos a despeito da cautela observada no mercado global.

Ele avalia como muito negativa a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu que o país aplicará uma tarifa de 5% sobre produtos importados do México a partir de 10 de junho, e deixará a tarifa em vigor e crescendo até um teto de 25% enquanto houver imigrantes ilegais entrando em território norte-americano.

Dados mais fracos da atividade industrial da China também colaboram para temores de desaceleração e para o mau humor dos investidores. “Eu não estava esperando essa alta de hoje, mas ao mesmo tempo as coisas deram uma desanuviada no cenário doméstico nesta semana e é fim de mês, tem a questão do ajuste de carteiras e até a questão psicológica, de que será o primeiro mês de maio positivo depois de muitos anos”, afirmou ele em relação ao Ibovespa.

Para o estrategista-chefe do banco Mizuho, Luciano Rostagno, “permanece o otimismo de investidores com a capacidade de o governo conseguir articular a reforma da Previdência no Congresso e a possibilidade de se aprovar uma boa reforma.”

Esta percepção cresceu ao longo dos últimos dias depois que o presidente Jair Bolsonaro e os chefes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram e concordaram em formalizar um pacto em prol das reformas econômicas.

O documento deve ser apresentado no início do mês que vem.

Entre os juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) se firmaram em baixa influenciadas pelo recuo do dólar. Os investidores mantêm o otimismo com a cena política local e relegam o aumento da tensão comercial no exterior, dando continuidade aos ajustes de fim de mês.

O DI para janeiro de 2020 tinha taxa de 6,300%, de 6,335% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 projetava taxa de 6,50%, de 6,56%; o DI para janeiro de 2023 estava em 7,56%, de 7,62%.

“É impressionante. Os principais ativos locais continuam respondendo positivamente e o sentimento segue otimista sobre a relação governo e Congresso”, afirma um operador sênior de derivativos de uma corretora nacional. Na mesma linha, um diretor da tesouraria de um banco estrangeiro se diz “surpreso” com o desempenho doméstico hoje.

Edição: Gustavo Nicoletta (g.nicoletta@cma.com.br)

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