MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

São Paulo – O Ibovespa segue em queda refletindo o mau humor externo em meio a preocupações sobre a forte queda da demanda de petróleo prevista e dados mais fracos do que o esperado nos Estados Unidos. O vencimento de opções sobre o Ibovespa, no entanto, pode trazer alguma volatilidade.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava queda de 1,13% aos 79.014,09 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 10,0 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovesoa com vencimento em abril de 2020 apresentava recuo de 1,37% aos 79.000 pontos.

“As projeções de demanda por petróleo da AIE detonam mercados hoje, fartamente aproveitado pelos vendidos em índice futuro na B3, com vencimento hoje”, disse o economista-chefe do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira.

A Agência Internacional de Energia (AIE), que afirmou, em seu relatório mensal, que a demanda global de petróleo deve cair em 9,3 milhões de barris por dia (bpd) neste ano, o que pesa nas cotações commodity e afeta as ações da Petrobras. Os papéis da estatal estão entre as maiores perdas do Ibovespa no momento, ao lado das ações da Gerdau e da Sabesp.

Ainda no exterior, diversos indicadores norte-americanos foram divulgados e vieram mais fracos do que o esperado pelo mercado impactados pela pandemia do coronavírus, é o caso das vendas no varejo, da produção industrial e do índice de atividade industrial Empire State. Ainda hoje, será divulgado o Livro Bege, às 15h, e investidores ainda acompanham os balanços corporativos que começaram a ser divulgados.

Com isso, os índices dos Estados Unidos operam em queda de mais de 2% em sua maioria, assim como as Bolsas europeias. Para Bandeira, os índices também mostram uma realização de lucros depois de altas nos últimos pregões.

O dólar comercial segue pressionado frente ao real, acima dos R$ 5,26, influenciado pelo cenário de forte aversão ao risco que prevalece nos ativos globais com investidores digerindo os dados da economia dos Estados Unidos piores do que o esperado em março, além do relatório que prevê queda acentuada na produção e na demanda global de petróleo, o que reflete nas moedas de países emergentes e ligadas às commodities.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava alta de 1,23%, sendo negociado a R$ 5,2430 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em maio de 2020 apresentava avanço de 1,72%, cotado a R$ 5,256.

O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, destaca o ambiente mais negativo após os dados norte-americanos. As vendas no varejo tiveram “queda brusca”, 8,7% em março, enquanto a produção industrial americana teve “outro tombo”, com o recuo de 5,4% ante projeção de -3,5%.

Sobre os números do comércio nos Estados Unidos, economistas da Capital Economics avaliam que, com sinais claros de “pânico” na compra de necessidades e o fato de que os bloqueios foram introduzidos no país apenas em meados do mês, significa que muito pior acontecerá em abril e no segundo trimestre em geral. “Claramente, há uma enorme incerteza quanto à profundidade da crise e por quanto tempo as restrições permanecem”, ressaltam.

Já a indústria, que teve a maior queda em 75 anos, eles ponderam que, como muitas fábricas encerraram atividades apenas nas últimas duas semanas do mês, os dados de março capturam apenas parte das perdas associadas à atividade.

“Seguem também as avaliações do mercado em relação a reabertura gradual das economias de modo que esse movimento não aconteça de forma prematura, o que poderia abrir a porta para uma segunda onda de infecções. Norte-americanos e alguns países europeus gerenciam riscos e pretendem afrouxar o isolamento em breve”, acrescenta Faganello.

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) seguem recompondo parte dos prêmios retirados recentemente, pressionadas pelo ambiente externo de maior aversão ao risco e pela valorização do dólar para a faixa de R$ 5,25. Além disso, os investidores monitoram o cenário político em Brasília, atentos ao noticiário em torno do governo e do Congresso.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,085%, de 3,045% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 3,77%, de 3,70% após o ajuste anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 4,83%, de 4,77%; e o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,35%, de 6,38%, na mesma comparação.