MERCADO AGORA: Veja um resumo dos negócios até o momento

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Gráfico

São Paulo – Após mostrar maior volatilidade pela manhã e chegar a operar em queda, o Ibovespa acelerou ganhos acompanhando o movimento das Bolsas norte-americanas em meio a mais medidas anunciadas pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). No entanto, segue o cenário de incertezas em torno da pandemia do novo coronavírus.

Por volta das 13h30 (horário de Brasília), o Ibovespa registrava forte alta de 7,02% aos 76.168,03 pontos. O volume financeiro do mercado era de aproximadamente R$ 14,6 bilhões. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa com vencimento em Abril de 2020 apresentava avanço de 8,56% aos 76.365 pontos.

O Fed anunciou, há pouco, que estabelecerá um mecanismo de empréstimos para apoiar os mercados de dívida comercial de curto prazo em mais uma tentativa de garantir condições favoráveis de liquidez em meio aos potenciais efeitos da pandemia. Para isso, criou um fundo de financiamento de commercial paper (CPFF, na sigla em inglês), depois de garantir a aprovação do

Departamento do Tesouro norte-americano. A última vez que esse mecanismo foi usado foi durante a crise financeira de 2008.

Mais cedo, o Fed de Nova York também tinha anunciado uma nova operação compromissada – conhecida como repo – no valor de US$ 500 bilhões.

Para o diretor de investimentos da SRM Asset, Vicente Matheus Zuffo, iniciativas e medidas de estímulo ajudam e têm efeito positivo no curto prazo, mas ainda é difícil saber se serão suficientes para acalmar os mercados. “Só uma diminuição de casos de coronavírus no mundo traria isso”, disse.

Volátil, o dólar comercial ensaia queda após renovar máxima histórica intraday, acima de R$ 5,08, reagindo à notícia de que o Brasil registra a primeira morte em decorrência do coronavírus. O paciente estava internado em São Paulo. O contrato futuro para abril reduziu a alta. Lá fora, o ambiente segue negativo para as moedas de países emergentes em decorrência do avanço e dos impactos do vírus na atividade global.

Por volta das 13h30, o dólar comercial registrava queda de 0,69%, sendo negociado a R$ 5,0130 para venda. No mercado futuro, o contrato da moeda norte-americana com vencimento em abril de 2020 apresentava avanço de 0,42%, cotado a R$ 5,016.

“O mercado está vulnerável a qualquer notícia a respeito do coronavírus. É um momento de muita volatilidade. A cada notícia que sai, que são muitas, vai provocar esse repique nos preços”, comenta a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack.

Lá fora, o dólar ganha força em meio à leitura de uma recessão, sinalizada ontem pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O consultor de câmbio da corretora Advanced, Alessandro Faganello, avalia que o cenário recessivo vai sendo desenhado, de maneira que bancos centrais vem buscando acalmar os mercados, sem sucesso, ao passo que governos vão implementando medidas para enfrentar a crise.

“Com o sentimento negativo, temores aguçados, desaceleração nas economias, fechamento de escolas, comércio e de fronteiras, além da suspensão de atividades sociais, a possibilidade de recessão é fato real”, destaca.

Sobre bancos centrais, a economista da Veedha ressalta que, agora, o que segue no radar e pode dar mais direção ao mercado doméstico é a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), no qual se reúne para decidir sobre a taxa de juros (Selic). “Temos que monitorar se, de repente, sai uma decisão hoje e não amanhã, como previsto. De qualquer forma, o mercado espera corte”, acrescenta.

As taxas dos contratos futuros de juros seguem em queda desde a abertura da sessão, amparados pela melhora nos mercados globais em dia de ajuste técnico. Porém, a confirmação da primeira morte por coronavírus no Brasil faz com que as taxas saiam das mínimas, mas sem manter o viés de queda.

Às 13h30, o DI para janeiro de 2021 tinha taxa de 3,785%, de 3,85% após o ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2022 estava em 4,66%, de 4,92% no ajuste ao final da sessão anterior; o DI para janeiro de 2023 projetava taxa de 5,60%, de 5,93%; enquanto o DI para janeiro de 2025 tinha taxa de 6,74%, de 7,08% na mesma base de comparação.