Membros do BCE ficaram divididos sobre programa de estímulos, diz ata

Sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt. Foto: Divulgação/ BCE

Por Cristiana Euclydes

São Paulo – Os membros do Conselho do Banco Central Europeu (BCE) ficaram divididos sobre o reinício do programa de afrouxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês), de acordo com a ata da reunião dos dias 11 e 12 de setembro.

Na ocasião, o BCE anunciou que as compras de ativos seriam retomadas em um ritmo mensal de 20 bilhões de euros, a partir de 1 de novembro. Segundo a ata, “uma clara maioria” concordou com a proposta, e em continuar com o programa pelo tempo necessário para reforçar o impacto acomodatício das taxas de juros e em terminá-lo um pouco antes de começar a elevar os juros.

Por outro lado, “alguns membros avaliaram que o argumento para a renovação de compras de ativos não era suficientemente forte”. Alguns as consideraram um instrumento menos eficiente, dada a compressão predominante dos prêmios a prazo, segundo a ata.

Outros, por sua vez, “as consideravam um instrumento de último recurso que deveria somente ser implantado em caso de contingências mais severas e que não eram justificadas à luz das perspectivas atuais, onde um pacote que não inclua as compras líquidas pode ser considerado adequado”.

Um membro citou que o anúncio de compras renovadas de ativos pode dar origem a demandas por valores mensais mais altos de compra, esgotando os títulos elegíveis para aquisição BCE. O Conselho, porém, não discutiu possíveis alterações nas regras. “Considerou-se que uma discussão sobre os limites pode esperar até que o problema se torne mais urgente “.

A ata diz também que “uma ampla maioria dos membros do Conselho concordou com o corte na taxa de depósitos em 0,1 ponto percentual (pp), para -0,5% ao ano, e em reforçar as orientações futuras. Ainda assim, poucos membros apoiaram um corte de 0,2 pp e outros não concordaram sequer com um corte de 0,1 pp.

Além disso, uma maioria concordou com a introdução de um sistema de duas camadas para a remuneração de reservas, mas alguns membros expressaram reservas sobre as justificativas para seu uso, citando que os canais atuais de transmissão de política monetária funcionam bem.

RISCOS AUMENTARAM

Ainda segundo o documento, os riscos para a economia e para a
inflação da zona do euro aumentaram, o que exigiu respostas amplas de política monetária do BCE.

“Os dados mais recentes indicaram uma desaceleração mais prolongada na economia da zona do euro do que a esperada anteriormente. Em particular, a fraqueza do comércio internacional e as incertezas globais prolongadas continuaram pesando, especialmente no setor industrial”, diz o documento.

Segundo o Conselho do BCE, o balanço de riscos permanece inclinado para o lado negativo, devido à presença prolongada de incertezas relacionadas a fatores geopolíticos, à crescente ameaça do protecionismo e vulnerabilidades nos mercados emergentes. Os membros do Conselho também citaram que o risco de um Brexit sem acordo estava aumentando.

“Nesse cenário, foi necessária uma resposta abrangente de política monetária” para levar à inflação para a meta de perto, mas abaixo de 2%. De acordo com o Conselho, a dinâmica da inflação permaneceu fraca, apesar da dinâmica robusta dos salários, e as perspectivas ainda apontam para uma taxa abaixo da meta.

Assim, o Conselho do BCE reiterou “a necessidade de uma postura monetária altamente acomodatícia por um período prolongado e sua prontidão para ajustar todos os seus instrumentos, conforme apropriado, para garantir que a inflação se mova em direção a níveis próximos, mas inferiores de 2% de forma sustentada”.

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