Melhora no cenário externo faz Bolsa subir e dólar cair

Por Danielle Fonseca e Flavya Pereira

São Paulo – O Ibovespa subiu pelo terceiro pregão seguido – com alta de 0,67%, os 102.935,43 pontos – refletindo a melhora do cenário externo, em meio a dados mais fracos do mercado de trabalho norte-americano, e as fortes altas de ações de bancos. O volume total negociado foi de R$ 15,1 bilhões. Na semana, o índice avançou 1,78%.

“Tivemos o payroll hoje e desde ontem o clima já está melhor com a notícia da reunião entre a China e os Estados Unidos. Os bancos também tão com alta firme hoje de novo, sustentando o índice”, disse o economista-chefe da Codepe Corretora, José Costa.

Os dados de emprego nos Estados Unidos, conhecidos como payroll, mostraram uma redução no ritmo de criação de vagas, com a abertura de 130 mil postos de trabalho, abaixo da expectativa de 147,5 mil vagas estimadas por analistas. O dado alimentou expectativas de cortes de juros na reunião deste mês do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), embora ainda haja dúvidas sobre o tamanho do corte.

“Os dados confirmam que o crescimento da economia dos Estados Unidos está desacelerando. Esperamos um novo corte de juros, de 0,25 ponto percentual, na reunião de setembro”, disse o economista da Nordea Research, Kjetil Olsen, em relatório.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse hoje, porém, que os dados recentes de emprego comprovam que a economia do país segue forte e que não há chances de uma recessão, apesar dos riscos às perspectivas. Embora não veja uma recessão à frente, ele reforçou que o Fed vai agir de forma apropriada para sustentar a expansão econômica.

O índice também foi sustentado por pelas ações de bancos, que seguiram acelerando ganhos durante à tarde, subindo na esteira do otimismo de ontem depois que o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que o BC estuda projetos que podem reduzir os depósitos compulsórios de forma significativa. Os papéis fecharam entre as maiores altas o Ibovespa, com destaque para as do Banco do Brasil (BBAS3 4,07%), do Bradesco (BBDC3 3,88%; BBDC4 4,19%) e do Itaú Unibanco (ITUB4 3,35%).

Na contramão, as maiores quedas foram da MRV (MRVE3 -2,89%), da CCR (CCR03 -4,27%), do BTG Pactual (BPAC11 -3,12%) e do Pão de Açúcar (PCAR4 – 3,44%).

Na semana que vem, investidores devem continuar acompanhando indicadores norte-americanos e também europeus, com a proximidade da reunião do Fed e com a reunião do Banco Central Europeu (BCE) já na quinta-feira que vem. Para analistas, o Ibovespa pode manter o tom positivo. “Vejo espaço para o Ibovespa, voltar aos 104, 105 mil pontos”, disse Costa.

O dólar comercial fechou em queda de 0,70% no mercado à vista, cotado a R$ 4,0810 para venda – rompendo uma sequência de dez pregões seguidos acima de R$ 4,10 – em meio ao bom humor que prevaleceu no exterior com os dados do mercado de trabalho (payroll) nos Estados Unidos em agosto abaixo do esperado, alimentando as apostas de que o país deverá seguir com o corte na taxa básica de juros neste mês.     

O diretor superintendente de câmbio da Correparti, Jefferson Rugik, reforça que, além da influência do payroll, internamente, houve um movimento de “redução de posições defensivas”, que levou o dólar às mínimas tocando o patamar de R$ 4,05.

Ele acrescenta que, na segunda parte da sessão, a falta de clareza do presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), Jerome Powell, em discurso na Suíça, sobre o futuro dos juros por lá não foram suficientes para ampliar as perdas, “o que levou a moeda a fechar menos desvalorizada”, diz Rugik.

Na semana, a moeda acumulou perdas de 1,49% e rompe uma longa sequência de sete semanas consecutivas de alta, iniciada em julho. Porém, segue acima do patamar de R$ 4,00 há três semanas. Para a equipe econômica do Bradesco, o real seguirá em patamares mais apreciados até o fim do ano, ficando nos R$ 4,00. “A desaceleração do crescimento mundial e os desdobramentos incertos das tensões comerciais [entre Estados Unidos e China] limitam o potencial de apreciação neste ano”, pondera.

Na semana que vem, a agenda de indicadores seguirá cheia, com números de inflação da China e dos Estados Unidos. “O exterior segue no radar, tanto a agenda econômica quanto os desdobramentos da tensão comercial entre norte-americanos e chineses”, reforça o gerente de tesouraria da Travelex Box, Felipe Pellegrini. Nesta semana, os países confirmaram que devem se encontrar em outubro para retomar as tratativas a respeito da disputa tarifária.

O foco também deverá ser a reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) em que expectativa é de corte de 0,1% na taxa de depósito. “O BCE busca fazer frente à forte desaceleração da economia da zona do euro, mas tem instrumentos limitados, uma vez que a taxa de juros já está muito próxima de zero”, avaliam os analistas do Bradesco.

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