Licenciamento total de veículos cresce 24% em julho, na base anual

559
São Paulo - Pátio de montadora em São Bernardo do Campo

São Paulo, SP – O licenciamento total de veículos – que incluem automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus cresceu 24% em julho, para 225.594 unidades, ante 181.994 no mesmo mês de 2022. Ante o mês anterior, o indicador subiu 19%, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). No acumulado do ano, o licenciamento total de veículos somou 1.224.151 unidades, alta de 11,3% frente ao mesmo período de 2022. Este foi o melhor julho desde 2019, ou seja, recuperou patamares de antes da pandemia.

O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, comemorou a redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual, e disse que ela tem efeito imediato no setor automotivo. “O programa de incentivo do governo federal já impulsionou o setor no mês de julho e vemos o mercado aquecido, mesmo após o fim do bônus oferecido pelo programa. Os primeiros números de agosto mostram uma alta de 23% em relação ao mesmo período do ano passado. Caso o aumento permaneça nesse patamar, podemos chegar a um incremento entre 5% e 7% nas vendas em relação a 2022”, destacou Leite.

O presidente da Anfavea também mostrou otimismo com o avanço do Marco Legal das Garantias de Empréstimos, que foi aprovado, em votação simbólica, pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE), no início de julho. A proposta, que aguarda apreciação do plenário da Casa, altera normas que tratam das garantias de empréstimos visando diminuir o risco da inadimplência. O projeto é originário do Poder Executivo, mas os senadores aprovaram um texto substitutivo do relator Weverton (PDT-MA), cuja proposta visa desburocratizar juridicamente as garantias creditórias, contribuirá para reduzir o custo do crédito, ou seja, os juros no país.

“O Marco tem o objetivo de levar o crédito para o consumidor com o custo mais baixo, o que vai ampliar o poder de compra do consumidor, com juros mais baixos, e trazer mais segurança aos agentes econômicos que oferecem crédito”, comentou Leite.

Os licenciamentos de automóveis e comerciais leves recuaram 27,5% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, a 215.722 unidades. Ante junho, o crescimento foi de 19,9%. No acumulado do ano, os emplacamentos de leves somaram 1.150.410 unidades, alta de 12,5% frente ao mesmo período de 2022.

A venda de caminhões recuou 27,6% em relação ao mesmo mês do ano passado, com o emplacamento de 8.370 unidades e alta de 6,2% ante junho. No acumulado do ano, por sua vez, houve queda de 11,9%, a 60.917 caminhões.

No setor de ônibus, os emplacamentos cresceram 20,8% em base anual, a 1.502 unidades. Em relação a junho, a venda de ônibus recuou 15,3%. No acumulado do ano, houve acréscimo de 50% a 12.824 unidades.

EXPORTAÇÃO

A receita com as exportações totais de veículos automotores e de máquinas agrícolas produzidas no Brasil somou US$ 994.839 milhões em julho, alta de 10,1% ante o mesmo mês do ano passado. Na comparação com o mês anterior, houve queda de 0,6%, segundo a Anfavea. No acumulado do ano, a receita com exportações cresceu 16,6%, chegando a US$ 6,737 bilhões.

O indicador mais prejudicado deste ano é o das exportações, sobretudo pelas complicações internas de destinos importantes como Colômbia e Chile, entre outros países sul-americanos. A Argentina mantém os patamares de 2022 no comércio com o Brasil, que já estavam aquém do potencial do mercado vizinho.

A única surpresa positiva é o México, que lidera pela primeira vez na história o ranking de embarques de modelos brasileiros, com mais de 83 mil unidades, 90% acima do volume do ano passado.

Sobre a queda de 2,6% das exportações para a Argentina, o presidente da Anfavea lembrou que o país vizinho criou um novo imposto de importação de 7,5%, atingindo assim as exportações do setor para o mercado argentino.

Leite salientou que as vendas de veículos no mercado interno argentino tiveram um crescimento expressivo de 12%, mas as exportações brasileiras tiveram desempenho oposto. Leite afirmou que já está conversando com autoridades brasileiras sobre a situação e espera que a Argentina reveja seu posicionamento sobre suas importações.

PRODUÇÃO

Em junho, foram produzidas 174.364 unidades de veículos leves no Brasil, 14,1% menor que no mesmo mês de 2022. Na comparação mensal, houve recuou de 3,2%, de acordo com Anfavea.

Já a produção total de veículos – que inclui automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus – foi de 183.016 no mês passado, 16,4% menor do que foi produzido em junho de 2022 e 3,3% inferior em comparação a junho.

No acumulado do ano, a produção total cresceu 0,3% para 1.314.984 unidades, na comparação anual, enquanto a produção de veículos leves nos sete primeiros meses deste ano subiu 3,3% ante o mesmo período de 2022, para 1.249.620 unidades.

O excelente ritmo de vendas, com média diária de 10.743 unidades, ajudou a reduzir os elevados estoques das fábricas e das concessionárias. Eles estavam acima de 250 mil unidades no final de maio, e agora estão num patamar abaixo de 200 mil.

Pelo nível de estoque que havia disponível, a produção de julho não teve o mesmo ritmo acelerado das vendas. O quadro foi de estabilidade nos números, a despeito de várias paradas de fábricas por férias coletivas, lay-offs e outros ajustes da oferta à demanda. Os 183 mil autoveículos que deixaram as linhas de montagem representaram ligeira redução de 3,3% na comparação com o mês anterior.

EMPREGOS

A quantidade de postos de trabalho na indústria automotiva recuou 3,6% na comparação com julho de 2022, para 99.579 posições. O número é 0,1% inferior na comparação com junho, quando o setor fechou com 99.676, informou a Anfavea.