Lagarde diz em Davos não ver transmissão de salários para inflação na eurozona

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International Monetary Fund Managing Director Christine Lagarde holds a press conference at the start of the IMF/World Bank Spring Meetings April 18, 2013 at the IMF Headquarters in Washington, DC. IMF Photograph/Stephen Jaffe

São Paulo – A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse que o emprego e a redução de tensões comerciais são fatores positivos para o crescimento da economia na zona do euro, mas que ainda não vê transmissão da alta nos salários para os preços.

“Vejo alguns sinais positivo e alguns sinas preocupantes também”, na economia da zona do euro, disse ela, ao participar do painel “Perspectivas econômicas globais” no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Ela disse os números de emprego nunca estiveram tão bons, e que os salários estão crescendo.

“Estamos felizes com isso pois esperamos que haja um canal de transmissão para os preços, o que vai gerar inflação e tornaria nossa vida mais fácil em muitos termos, nos daria espaço para combater o próximo choque quando houver um”, disse ela. “Não estamos vendo esta transmissão ainda. Não vamos desistir disso”, acrescentou.

“Estamos vendo a taxa de inflação movendo um pouco, mas isso é realmente menor, levará mais, é preciso números mais altos para mudar o cenário fundamentalmente”, segundo Lagarde.

Ela também citou que o comércio tem sido historicamente baixo, o que não tem impulsionado o crescimento econômico. “Gostamos de ver acordos comerciais ou tréguas sendo negociadas e concluídas, pois isso vai reduzir incertezas em todo o mundo”, disse.

Lagarde afirmou que ainda está para ser visto como será a distribuições dos benefícios e custos como resultado de desacordos comerciais, pois não será um arranjo apenas positivo, haverá aspectos negativos e o BCE está medindo quem vai perder. “Então, o emprego é positivo e o comércio é levemente positivo”.

Ela repetiu a mensagem de ontem na coletiva de imprensa após a decisão de política monetária do BCE, afirmando que os riscos à economia da eurozona estão inclinados para o lado negativo, mas estão menos pronunciados, com os acordos comerciais dos Estados Unidos e seus parceiros reduzindo as incertezas.

Com relação ao Brexit, as incertezas também diminuíram, ainda que possa haver alguns fatores contrários em dezembro 2020. “Não sabemos exatamente como a relação comercial será, e é um grande parceiro para a zona do euro”.

Por fim, Lagarde destacou que os dados do índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços e construção estão fortes, enquanto a indústria ainda está em queda, mas as perspectivas para o futuro estão levemente positivas.